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sábado, 16 de janeiro de 2016

Mariete e o Fusca: Uma história de amor desfeita depois de quase 40 anos


O Fusca amarelo colonial é datado de 1978 (Foto Arquivo pessoal)

A proximidade de um novo ano invariavelmente nos leva a desapegar de coisas que nos acompanham na vida. Alguns se desprendem de sentimentos negativos, outros de objetos recém-arranjados e existem também aqueles que corajosamente desapegam de bens adquiridos há muitos anos, uma eternidade.

Janeiro sempre chega encorajando novas propostas. Por algum motivo, o primeiro mês do ano parece mais propício a uma faxina. E como essa afirmativa é verdadeira! Talvez uma data para que as pessoas entendam que só há perda se há posse, e essa é apenas uma sensação.

Por onde ela passava em Rio Branco, mais precisamente na Cohab do Bosque, logo chamava atenção de todos. Loira, olhos claros, alta e com um timbre de voz marcante. Mas, não era realmente tão somente isso que atribuíam tantos olhares para a educadora, Mariete Morte da Costa, mais ronco do motor e o brilho da lataria do seu veículo, um autêntico fusca da Volkswagen adquirido na década de 70.

Nascida em Xapuri, Mariete é bem quista por amigos e vizinhos. Tem uma fama de viajante, por sempre estar de bem com a vida e ser amante de um fusca amarelo colonial. Foi no dia 07 de novembro de 1978 que essa história de amor teve início.

A amiga dela, dona Ziza Castelo, foi a responsável por essa união. Ziza atravessou a cidade e levou Mariete a uma concessionária de Rio Branco para comprar um carro. Tido como popular, fácil de dirigir, incomparável em seus traços arredondados e simpáticos, resistente na força bruta da lataria, o fusca foi o escolhido dentre tantos outros. O negócio foi feito e o consórcio garantido.

Certa vez, ao andar pelo centro, Mariete foi abordada por um cidadão que deu a notícia de que ela havia sido contemplada no sorteio. Ela estava na segunda prestação do consórcio. “Eu corri pra loja e cheguei lá o gerente realmente havia confirmado o sorteio. Fiquei muito feliz, porém, havia um problema muito grande, eu não sabia dirigir”, comenta.

Um amigo foi chamado para levar o carro até um posto de gasolina que ficava a poucos metros de sua casa. Foi justamente esse amigo que deu as primeiras aulas para Mariete, mas, ela optou por receber as instruções numa autoescola. Não demorou muito para que a máquina funcionasse e ela aprendesse de fato a manobrar o veículo. Tanto que foi a estrada de Sena Madureira a escolhida para uma corrida.

“Até que um dia eu resolvi sair sozinha pra ir à faculdade. Liguei, dei uma ré e o carro ficou com as duas rodas sem tocar ao chão, tudo por que a ré foi demais e era um local alto do estacionamento no posto. Eu gritava por socorro e uma multidão apareceu para tirar o carro daquela condição. Depois disso eu fui praticando e aprendendo a dirigir”, relata.

A nossa personagem de hoje alcançou a época em que a sociedade ainda esboçava muito preconceito por mulheres que dirigiam. Mesmo que muitas delas possuíam seus próprios veículos. Ela lembra que grande parte das universitárias e funcionárias do estado eram criticadas e serviam como objetos de piadas. No entanto, não era somente a barreira do preconceito que as motoristas precisavam vencer.

A cidade ainda em plena transformação possuía poucas ruas asfaltadas ou tijoladas. As sinuosas ladeiras causavam sensações de medo e agonia. O trânsito para a época já era considerado perigoso e principalmente movimentado.

“Naquele tempo eram poucas as mulheres corajosas que seguiam pela Avenida Getúlio Vargas. Muitas faziam o desvio na rua de trás. Foi numa dessas ladeiras que tive um problemão com o sinal que havia ficado verde e a movimentação de gente era grande. Eu não conseguia sair do lugar. Passei uns quinze minutos que não sabia se subia ou descia e os motoristas de trás tudo buzinando. Até que um taxista veio e me ajudou a sair daquele sufoco, graças a Deus”, lembra.   

“Se ele falasse...”

O Fusca não é grande, não alcança grandes velocidades e tampouco é moderno tanto que foi aposentado das fábricas brasileiras em 1997. No entanto, acredite, é melhor não subestimá-lo principalmente quando muitos bons momentos aconteceram graças ao seu potente motor.

“Se o fusca falasse, ele diria muita coisa indevida (...) Tudo que eu já vivi com ele daria um bom livro. Vou te contar; Aproveitei muito neste carrinho! Namorei, ia pra todo canto com ele, viajava e saia com a galera chegando sete a oito horas da manhã (...) Ele teve até umas quatro batidinhas, coisa leve nada grave”, dispara Mariete acompanhado de uma sonora gargalhada.

Por onde ela passava em Rio Branco logo chamava atenção de todos (Foto: Wanglézio Braga)

Sortuda

Mesmo sendo um carro popular e considerado por muito um veículo ultrapassado, o fusca continuava sendo o “queridinho” da educadora. Tanto que ela foi contemplada com outros dois consórcios. Desta vez de carros bem melhores e mais modernos. Só que isso não foi o suficiente para ela abandonar seu xodó. “No segundo consórcio fui contemplada também na segunda parcela. Já o terceiro, na quarta prestação eu vendi o carro. Hoje, estou querendo entrar em mais um para adquirir um automóvel melhor. Será terei sorte mais uma vez?”, comenta.  

Assédio

Quem possui uma relíquia dessas sempre sofre com o assédio. No caso dela, será que ela sofreu desse mal?. “Uma vez um senhor me parou no trânsito e fez uma proposta. Disse que eu estava precisada de dinheiro. Só que não era verdade. Ele era apenas um dos milhares que queria comprar meu fusca a qualquer custo. Já me ofereceram muito dinheiro, só que não tive coragem de aceitar”, recorda.  

Quase 40 anos depois...

O tempo passa e também a sensação de desapego acompanha a vida. Talvez por nossa natureza ou tendências do mundo globalizado, que usa do materialismo para tem uma oportunidade de nos reciclar, isso pode produzir o chamado sofrimento da perca.

Para a filosofia oriental, na qual é um dos mais importantes ensinamentos, o desapego não é uma rejeição e sim uma liberdade que se sobressai quando deixamos de nos prender. Mas desapego é algo maior. É saber deixar para trás o que quer que seja sem sofrimento. Será?

O apego é visto muitas vezes como algo positivo, como se fosse sinal de cuidado. A preocupação com alguma situação é uma manifestação do apego. Tem gente que não se permite relaxar diante de algo que ainda não foi resolvido porque acha que isso seria uma forma de desleixo e, assim, não consegue se desapegar.

"O tempo de dizer adeus chegou e não estou arrependida", diz ela (Foto Arquivo Pessoal)
No caso de Mariete da Costa foram quase 40 anos tendo o fusca como seu fiel cúmplice. Mas, no inicio desse ano o amarelinho foi vendido por uma quantia razoável na tabela econômica do mercado automobilístico. Porém, se desfazer dele não foi tarefa fácil.

No final do ano passado quem passava na frente da sua casa avistada o fusca amarelo, mas, poucos dias depois a garagem estava completamente vazia.

“Todo mundo diz que o fusca é a minha cara. Ele passou a ser um símbolo da minha vida. Sei lá, acho que não sou muito apegada aos bens. Talvez ele fosse o bem que mais me apeguei na vida. Antes de passar a diante ao novo dono, o máximo que pude fazer foi dar a última volta e fazer umas fotos”, comenta Mariete visivelmente emocionada, porém, com um semblante firme.

Desapegar-se significa ficar em paz, mesmo enquanto acontece algo que desejaríamos que fosse diferente ou enquanto algo não foi resolvido. Bom ainda é pode até parecer cedo, afinal, é possível contar nos dedos os dias em que ela “desapegou do seu fusca”. Para começar 2016 com essa mentalidade, ela faz questão de deixar seu recado.


“Não adianta a gente se apegar. A gente morre, e tudo fica aí. Podemos ter rios de dinheiro. Eu não me arrependi do fusca. Sou grata pela ajuda que me deu quando minha mãe precisou, quando cursava a faculdade ou ia para o trabalho nele. O tempo de dizer adeus chegou e não estou arrependida”, finaliza.

quarta-feira, 4 de novembro de 2015

Uninorte ofertará Curso de Piloto Privado ainda este ano no Acre


 O anúncio foi feito durante o 1°Simpósio de Segurança de Voo do Acre 
(Foto Cedida)

Por  Wanglézio Braga

Os acreanos amantes da aviação, bem como aqueles que desejam entrar para a carreira de aviadores já podem comemorar. Foi anunciado nessa quarta-feira (04) durante o “I Simpósio de Segurança de Vôo do Acre” que a Uninorte/AC ofertará o curso preparatório para Piloto Privado. O curso deve iniciar em dezembro deste ano com vagas para 30 alunos.

 Pedro Ricardo Vogliotti  - Coordenador da Instituição  
(Foto Wanglézio Braga)
O anúncio foi feito pelo coordenador da Uninorte, Pedro Ricardo Vogliotti. Segundo ele, as conversas com os setores responsáveis por cursos deste porte estão adiantadas e a instituição deve oferecer aos acreanos as aulas iniciais já no próximo mês.


O curso será inovador na visão de Pedro Vogliotti, tendo em vista que as equipes de instrutores que irão capacitar os futuros pilotos são bem requisitadas no mercado e as aulas serão teóricas, práticas, técnicas com amplo conhecimento voltado a fonia de torre de controle até oficinas de manutenção.

Vale lembrar que o curso é o primeiro passo de um piloto, portanto, não é necessária nenhuma experiência prévia com pilotagens de aviões.

sábado, 31 de outubro de 2015

DIA DO AVIADOR: As histórias de 2 pilotos do Acre que venceram os obstáculos em busca dos sonhos

   
Fotos Cedidas pelos personagens


“Voar é a segunda maior emoção conhecida pelo homem. Pousar é a primeira”. Faz 109 anos que essa frase se tornou realidade quando o gênio e mestre Alberto Santos Dumond fez o primeiro voo com o 14 Bis (também conhecido como “ave de rapina”) inspirando uma nação e o mundo por sua paixão por voar. Paixão essa que chegou aos lugares mais extremos do mundo.

Ismar Souza nasceu em Tarauacá (AC) e Sanclé Mesquita em Rio Branco, ambos com 29 anos de idade foram “abduzidos” por esse sentimento e hoje compartilham experiências e relatam as dificuldades de voar nos céus da Amazônia.  No último dia 23 de outubro foi comemorado o Dia do Aviador. 
Um tarauacaense jovem aviador


O tarauacaense Ismar já sonhava desde criança em seguir carreira de piloto. Único aviador da família, ele focou nos estudos até se formar em Tecnólogo Ambiental, mas foi pensando em desafiar as Leis da Gravidade e também desbravar os céus da região que seguiu carreira na aviação. Ele conta que a ajuda dos pais foi fundamental na escolha. Filho de militar do Exército, o jovem se inspirava nos colegas de trabalho do seu pai que sempre pousavam/decolavam aviões e helicópteros em Tarauacá. “Eu sempre me fazia presente nesses momentos. Quantas vezes me pegavam sonhando que um dia também pousaria ou decolava aquelas máquinas!”, lembra.
  Ismar Souza é piloto e nasceu
em Tarauacá (Foto Cedida)
O caminho é árduo e exige muito. Noites de estudos, horas extras de conhecimento. Na época em que fez o curso na Escola de Pilotos de Fortaleza (CE), Ismar era o único aluno da Região Norte bem como do Acre. A sua turma começou com 48 alunos, desses, apenas 10 concluíram e se formaram na parte teórica. Dos 10 alunos, apenas três passaram na prova da Agência Nacional da Aviação Civil (Anac), e ele estava entre os aprovados o que o capacitou como piloto Civil e Privado. Mas antes foi preciso seguir para Minas Gerais exatamente na Escola de Pilotos de Pará de Minas, onde fez a parte prática. Atualmente é piloto de Táxi Aéreo, mas almeja agora a aviação executiva. Vale lembrar que existem quatro qualificações de pilotos; Comercial, Táxi Aéreo, Executivo e Agrícola.

Quem trabalha como piloto precisa muito mais que gosto pela profissão, mas também de coragem e disciplina. As dificuldades são inúmeras. Ismar enumera algumas. “Primeiramente as adversidades de voo como tempos adversos, chuvas, os aeroportos que geralmente são muito perto da mata e a noite, às vezes, devido aos nevoeiros é preciso alternar outra cidade por falta de visibilidade da pista de pouso. São dificuldades que sempre estão presentes nesse mundo da aviação, mas somos preparados psicologicamente para as adversidades. Deus nos acompanha a todo instante”, comenta.



Benefícios da profissão também existem. “Os pilotos ganham muito bem e recebemos para conhecer o mundo, porém, como em toda profissão, o início é ruim para todos por isso muitos desistem. Mas se você almeja ser piloto, esteja preparando desde já o caminho. E com força e fé possam um dia olhar pra trás e dizer que conseguiu levantar voo”, finaliza.


Da janela de casa para um avião


Sanclé Mesquita foi acostumado com os barulhos das turbinas dos aviões. Ele morava aos fundos do antigo Aeroporto de Rio Branco. Na infância, corria pra janela de casa só para ver os aviões passarem, e vibrava quando voavam rasgando os tetos dos prédios. Mas não era só isso. Vez e outra ele sempre ia ao aeródromo para olhar as aeronaves. Nessas idas e vindas, prestava atenção nos pilotos fazendo o checklist e pensava; “Esses caras são bons! Imaginem o treinamento que recebem para colocar um bicho desses no céu. Acho que são militares”.

Foram anos de observação até que surgiu, na adolescência, as provas da aeronáutica. Ele via uma ótima oportunidade pra ingressar na carreira, diferente de sua mãe. “Quando chegava a hora de se inscrever eu me arrumava e minha mãe fala que não era preciso, pois ela faria a inscrição. Mas isso não acontecia, ela tinha medo de me tornar um piloto. Ela sempre foi muito assustada”, lembra.

Os anos se passaram e Sanclé, com 16 anos, começou a trabalhar, o sonho de voar ficou um pouco de escanteio. Iniciou a faculdade de Sistema de Informação, mesmo sendo elogiado por professores e tendo bons resultados no curso, a vontade de mudar de profissão era maior.
               Sanclé Mesquita iniciou o curso de piloto aos 24 anos e há cinco
 trabalha com Aerotaxi (Foto Cedida)

“Aquilo não me deixava feliz. Ficar trancado em escritório era muito chato. Decidi largar tudo e seguir meu sonho. Ninguém da minha família aceitou no começo, tive que vender um carro para conseguir dinheiro e fazer o curso fora, pois não existia no Acre e fui parar em São Paulo sem saber nem como chegar à Itápolis no Centro de Aviação”, relata Sanclé que iniciou o curso aos 24 anos de idade.

Depois de formado e já atuando na área, se tornou o orgulho da família. Passou a ser admirado e amado ainda mais pela escolha que fez. Mesmo com os desafios que enfrenta diariamente para integrar os municípios acreanos por meio do serviço de Aerotaxi, ele quer ir além. Assim como Ismar, o piloto riobranquense fala dos desafios da profissão, sobretudo no Acre.

“Os desafios são muitos. E em comparação às outras regiões do Brasil, o Norte é mais complicado. Falta suporte. Às vezes não temos nenhuma ajuda. Enfrentamos diariamente os problemas como abastecimento, pois só existem em Rio Branco e Cruzeiro do Sul. Nesses casos, para a segurança, temos que planejar bem e seguir as coordenadas direitinho, pois os aeroportos de alternância são quase zero principalmente voos noturnos, onde somente Rio Branco, Cruzeiro do Sul e Porto Velho operam”, comenta ele que trabalha como piloto há cinco anos na Rio Branco Aerotaxi.

Não precisa de muito para saber da importância dos pilotos para o desenvolvimento do nosso estado. Em 2014, o Acre ficou isolado por causa da enchente do Rio Madeira, a BR-364 esteve por vários meses submersa e os alimentos que antes vinham por carretas foram todos transportados por aviões. Pilotos privados, companhias aéreas e até a Força Aérea Brasileira foram usados para abastecer o estado, principalmente o interior.

Naquele ano dificultoso, o piloto disse que ajudou no transporte um momento que jamais vai esquecer. “Trabalhamos quase 24 horas. Voando muito até Porto Velho para pegar alimentos, medicamentos, roupas para o Acre. O estado passava um momento crítico e nós tivemos que nos desdobrar sem exceção. Não havia luxo apenas o sentimento de cooperar”, diz.

Apesar das dificuldades, o piloto aconselha aos que desejam entrar na profissão tenham principalmente amor e foco. “Só entrem na profissão quem realmente ama, no início de tudo é bem cruel, mas depois vai dando tudo certo. Tudo depois será recompensado, não somente na parte financeira, mas também pela satisfação de trabalhar naquilo que gosta”, finaliza.

Se tornando um piloto

Atualmente, a ANAC registra cerca de 60 mil pilotos em diferentes habilitações, além de mais de 160 aeroclubes distribuídos por todo o País, centenas de escolas de Aviação e dezenas de empresas aéreas.
Para tornar-se piloto da Força Aérea Brasileira, é preciso ingressar na Academia da Força Aérea (AFA) é por meio de concurso. Esse processo de formação dura quatro anos. Uma opção para quem não quer prestar o concurso, é maior de 14 anos e menor de 18, é ingressar na Escola Preparatória de Cadetes do Ar por meio de concurso público. A instituição substitui o Ensino Médio.



Para ser piloto de avião comercial, o candidato tem duas opções: realizar o curso ofertado em aeroclubes ou cursar uma graduação de aviação civil oferecida por instituições de ensino reconhecidas pelo Ministério da Educação. Apesar de ambos os tipos de escolas serem reconhecidas pela Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC), as instituições de Ensino Superior acabam por oferecer maior base teórica e, consequentemente, aumentam os índices de empregabilidade de seus egressos.

E, por falar no assunto, a estimativa é de que o setor crie mais de 2 milhões de empregos até 2030. Por isso, é importante estar atento às oportunidades da área para não perder vagas interessantes.

Na aviação civil, os salários podem chegar a R$ 22 mil para pilotos de linhas internacionais. Também é possível exercer uma série de outras funções a bordo e, ainda, trabalhar no setor administrativo de companhias.

Os horários inusitados e sem um padrão podem afastar pessoas que não procuram esse estilo de vida. É importante saber conciliar vida profissional e pessoal, encontrando um equilíbrio para que os problemas de um lugar não afetem o outro, como em qualquer emprego.

Você sabia?

Hidroavião Taquary foi o primeiro a chegar ao Acre, em 5 de maio de 1936. E o coronel João Donato, pai do músico João Donato e do poeta Lysias Enio, foi o primeiro acreano habilitado como piloto, ainda naquela década. Foto do acervo do Departamento de Patrimônio Histórico do Acre.




Além do hidrovião Taquary, o "Juruá", um douglas C-47, era de propriedade do Território Federal do Acre. Foi pioneiro na viagem do Rio de Janeiro ao Acre em apenas um dia. Foto de um álbum apresentado como relatório de obras terminadas no Acre (1946-1948) quando o governador-delegado da União no Território era o major José Guiomard dos Santos. No relatório consta que, antes de 1946, Rio Branco ficava seis meses isolada do resto do país por causa das precárias condições da pista de pouso. Por via fluvial, passando por Manaus e Belém, a viagem até o Rio de Janeiro demorava quatro meses.

A aviação teve início no Brasil por meio do emblemático voo de Edmond Plauchut, em 22 de outubro de 1911. O pioneiro foi mecânico de Alberto Santos-Dumont em Paris e estreou no céu nacional ao sobrevoar a Avenida Central do Rio de Janeiro. Apesar do espírito vanguardista, Plauchut caiu no mar a uma altura de 80 metros ao chegar à Ilha do Governador.


Foi apenas em 1927 que teve início a história da aviação comercial no Brasil: a empresa Condor Syndikat foi a primeira a transportar passageiros no país. A primeira linha com voos regulares nessas terras foi a chamada “Linha da Lagoa”, que realizava vôos entre Porto Alegre, Pelotas e Rio Grande.

Publicado originalmente no Jornal O Rio Branco 25/10/2015
Reportagem: Wanglézio Braga