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sábado, 16 de janeiro de 2016

Mariete e o Fusca: Uma história de amor desfeita depois de quase 40 anos


O Fusca amarelo colonial é datado de 1978 (Foto Arquivo pessoal)

A proximidade de um novo ano invariavelmente nos leva a desapegar de coisas que nos acompanham na vida. Alguns se desprendem de sentimentos negativos, outros de objetos recém-arranjados e existem também aqueles que corajosamente desapegam de bens adquiridos há muitos anos, uma eternidade.

Janeiro sempre chega encorajando novas propostas. Por algum motivo, o primeiro mês do ano parece mais propício a uma faxina. E como essa afirmativa é verdadeira! Talvez uma data para que as pessoas entendam que só há perda se há posse, e essa é apenas uma sensação.

Por onde ela passava em Rio Branco, mais precisamente na Cohab do Bosque, logo chamava atenção de todos. Loira, olhos claros, alta e com um timbre de voz marcante. Mas, não era realmente tão somente isso que atribuíam tantos olhares para a educadora, Mariete Morte da Costa, mais ronco do motor e o brilho da lataria do seu veículo, um autêntico fusca da Volkswagen adquirido na década de 70.

Nascida em Xapuri, Mariete é bem quista por amigos e vizinhos. Tem uma fama de viajante, por sempre estar de bem com a vida e ser amante de um fusca amarelo colonial. Foi no dia 07 de novembro de 1978 que essa história de amor teve início.

A amiga dela, dona Ziza Castelo, foi a responsável por essa união. Ziza atravessou a cidade e levou Mariete a uma concessionária de Rio Branco para comprar um carro. Tido como popular, fácil de dirigir, incomparável em seus traços arredondados e simpáticos, resistente na força bruta da lataria, o fusca foi o escolhido dentre tantos outros. O negócio foi feito e o consórcio garantido.

Certa vez, ao andar pelo centro, Mariete foi abordada por um cidadão que deu a notícia de que ela havia sido contemplada no sorteio. Ela estava na segunda prestação do consórcio. “Eu corri pra loja e cheguei lá o gerente realmente havia confirmado o sorteio. Fiquei muito feliz, porém, havia um problema muito grande, eu não sabia dirigir”, comenta.

Um amigo foi chamado para levar o carro até um posto de gasolina que ficava a poucos metros de sua casa. Foi justamente esse amigo que deu as primeiras aulas para Mariete, mas, ela optou por receber as instruções numa autoescola. Não demorou muito para que a máquina funcionasse e ela aprendesse de fato a manobrar o veículo. Tanto que foi a estrada de Sena Madureira a escolhida para uma corrida.

“Até que um dia eu resolvi sair sozinha pra ir à faculdade. Liguei, dei uma ré e o carro ficou com as duas rodas sem tocar ao chão, tudo por que a ré foi demais e era um local alto do estacionamento no posto. Eu gritava por socorro e uma multidão apareceu para tirar o carro daquela condição. Depois disso eu fui praticando e aprendendo a dirigir”, relata.

A nossa personagem de hoje alcançou a época em que a sociedade ainda esboçava muito preconceito por mulheres que dirigiam. Mesmo que muitas delas possuíam seus próprios veículos. Ela lembra que grande parte das universitárias e funcionárias do estado eram criticadas e serviam como objetos de piadas. No entanto, não era somente a barreira do preconceito que as motoristas precisavam vencer.

A cidade ainda em plena transformação possuía poucas ruas asfaltadas ou tijoladas. As sinuosas ladeiras causavam sensações de medo e agonia. O trânsito para a época já era considerado perigoso e principalmente movimentado.

“Naquele tempo eram poucas as mulheres corajosas que seguiam pela Avenida Getúlio Vargas. Muitas faziam o desvio na rua de trás. Foi numa dessas ladeiras que tive um problemão com o sinal que havia ficado verde e a movimentação de gente era grande. Eu não conseguia sair do lugar. Passei uns quinze minutos que não sabia se subia ou descia e os motoristas de trás tudo buzinando. Até que um taxista veio e me ajudou a sair daquele sufoco, graças a Deus”, lembra.   

“Se ele falasse...”

O Fusca não é grande, não alcança grandes velocidades e tampouco é moderno tanto que foi aposentado das fábricas brasileiras em 1997. No entanto, acredite, é melhor não subestimá-lo principalmente quando muitos bons momentos aconteceram graças ao seu potente motor.

“Se o fusca falasse, ele diria muita coisa indevida (...) Tudo que eu já vivi com ele daria um bom livro. Vou te contar; Aproveitei muito neste carrinho! Namorei, ia pra todo canto com ele, viajava e saia com a galera chegando sete a oito horas da manhã (...) Ele teve até umas quatro batidinhas, coisa leve nada grave”, dispara Mariete acompanhado de uma sonora gargalhada.

Por onde ela passava em Rio Branco logo chamava atenção de todos (Foto: Wanglézio Braga)

Sortuda

Mesmo sendo um carro popular e considerado por muito um veículo ultrapassado, o fusca continuava sendo o “queridinho” da educadora. Tanto que ela foi contemplada com outros dois consórcios. Desta vez de carros bem melhores e mais modernos. Só que isso não foi o suficiente para ela abandonar seu xodó. “No segundo consórcio fui contemplada também na segunda parcela. Já o terceiro, na quarta prestação eu vendi o carro. Hoje, estou querendo entrar em mais um para adquirir um automóvel melhor. Será terei sorte mais uma vez?”, comenta.  

Assédio

Quem possui uma relíquia dessas sempre sofre com o assédio. No caso dela, será que ela sofreu desse mal?. “Uma vez um senhor me parou no trânsito e fez uma proposta. Disse que eu estava precisada de dinheiro. Só que não era verdade. Ele era apenas um dos milhares que queria comprar meu fusca a qualquer custo. Já me ofereceram muito dinheiro, só que não tive coragem de aceitar”, recorda.  

Quase 40 anos depois...

O tempo passa e também a sensação de desapego acompanha a vida. Talvez por nossa natureza ou tendências do mundo globalizado, que usa do materialismo para tem uma oportunidade de nos reciclar, isso pode produzir o chamado sofrimento da perca.

Para a filosofia oriental, na qual é um dos mais importantes ensinamentos, o desapego não é uma rejeição e sim uma liberdade que se sobressai quando deixamos de nos prender. Mas desapego é algo maior. É saber deixar para trás o que quer que seja sem sofrimento. Será?

O apego é visto muitas vezes como algo positivo, como se fosse sinal de cuidado. A preocupação com alguma situação é uma manifestação do apego. Tem gente que não se permite relaxar diante de algo que ainda não foi resolvido porque acha que isso seria uma forma de desleixo e, assim, não consegue se desapegar.

"O tempo de dizer adeus chegou e não estou arrependida", diz ela (Foto Arquivo Pessoal)
No caso de Mariete da Costa foram quase 40 anos tendo o fusca como seu fiel cúmplice. Mas, no inicio desse ano o amarelinho foi vendido por uma quantia razoável na tabela econômica do mercado automobilístico. Porém, se desfazer dele não foi tarefa fácil.

No final do ano passado quem passava na frente da sua casa avistada o fusca amarelo, mas, poucos dias depois a garagem estava completamente vazia.

“Todo mundo diz que o fusca é a minha cara. Ele passou a ser um símbolo da minha vida. Sei lá, acho que não sou muito apegada aos bens. Talvez ele fosse o bem que mais me apeguei na vida. Antes de passar a diante ao novo dono, o máximo que pude fazer foi dar a última volta e fazer umas fotos”, comenta Mariete visivelmente emocionada, porém, com um semblante firme.

Desapegar-se significa ficar em paz, mesmo enquanto acontece algo que desejaríamos que fosse diferente ou enquanto algo não foi resolvido. Bom ainda é pode até parecer cedo, afinal, é possível contar nos dedos os dias em que ela “desapegou do seu fusca”. Para começar 2016 com essa mentalidade, ela faz questão de deixar seu recado.


“Não adianta a gente se apegar. A gente morre, e tudo fica aí. Podemos ter rios de dinheiro. Eu não me arrependi do fusca. Sou grata pela ajuda que me deu quando minha mãe precisou, quando cursava a faculdade ou ia para o trabalho nele. O tempo de dizer adeus chegou e não estou arrependida”, finaliza.

sábado, 31 de outubro de 2015

A arte de rua que sobrevive nos arredores do Terminal Urbano

Dos estrangeiros aos brasileiros que expõem o melhor de uma cultura

Estivemos no local para conhecer este “menu” cultural e compartilhamos a trajetória de vida e profissional de pessoas simples (Fotos Wanglézio Braga)

O endereço é o de sempre: Avenida Brasil com Rua Sergipe N° 321 – Centro de Rio Branco (AC). Milhares passam todos os dias por este local para pegar o transporte coletivo, outros trabalham nos comércios da redondeza, mas também passam por lá e ainda existem aqueles que vão a passeio.  Em meio à vida corrida é perceptível que a cultura da arte de rua vem sobrevivendo ali no coração da cidade.

Há tempos, o entorno do Terminal Urbano de Rio Branco vem se tornando ponto de encontros de viajantes estrangeiros e de artistas brasileiros que trabalham com pinturas, peças de teatro, canto e até dança. Um verdadeiro cardápio cultural a sua disposição. Com ou sem moedas, o importante é compartilhar uma visão diferenciada das coisas da vida, do estilo de uma sociedade ou quem sabe de um mito.

Estivemos no local para conhecer este “menu” cultural e compartilhamos a trajetória de vida e profissional de pessoas simples que sobrevivem de poucas moedas deixada por admiradores mais sobretudo de cultura. Gente que veio da Colômbia, Roraima e Rondônia com o único objetivo: Apresentar a sua arte.

No chão: O giz e carvão  

Nem mesmo o vai e vem dos pedestres no calçadão, o barulho dos ônibus e o calor excessivo tiram a atenção do jovem Cristian Olaya, 23 anos. Ele é artista de rua há oito anos, nasceu na Colômbia e está no Acre de passagem depois de uma temporada pela região norte, nordeste e centro-oeste do Brasil. Ele fica em Rio Branco até dezembro onde tenta regressar para sua cidade de origem, Bogotá.  
  
 Cristian Olaya usa as técnicas de Giz e Carvão para desenhar na calçada 
(Foto: Wanglézio Braga)

O que difere Cristian dos demais artistas são as técnicas que ele utiliza para desenhar. Giz escolar colorido, aqueles usados em lousas, e carvão vegetal são as suas ferramentas de trabalho. Mais talvez você esteja se perguntando, onde ele traça seus personagens? No chão!  Isso mesmo, na calçada.

De baixo do frondoso pé de Apuí, Cristian desenha personagens da fauna e flora, bem como rosto de personalidades que contribuíram de alguma forma para o mundo. Por dia ele tem o alvo de desenhar dois personagens.

“Por um lado é como se estivesse falando, opinando sobre diversos assuntos. Com os desenhos posso falar de um tema específico ou idéias que tenho na minha cabeça. Talvez uma forma de manifestação contrária a proposta de um político que não gostei posso também fazer um desenho sobre isso”, comenta.

Antes de começar a desenha ele analisa o local, o fluxo de pessoas e até as condições do solo. A técnica pode até parecer simples, mais não é. Enquanto desenha, fica atento ao seu redor, afinal, a chance de alguém pisar nos moldes e estragar o desenho é grande. Mais ele disse que já está acostumado, apesar de compreender que o espaço é público.

“Infelizmente a pintura é muito celetista por conta das galerias. Você tem que ter muitos quadros para formar uma exposição. Além disso, as pessoas daqui não têm muito a cultura de ir aos museus, galerias, então resolvi trabalhar assim para todo mundo. Mostro a minha arte para rapaz que vende água até para aqueles que possuem muito dinheiro”, diz.

E quando a chuva cai e leva literalmente seus desenhos? Para ele é um momento especial, tempos de renovação. “Gosto quando a chuva cai e leva o meu trabalho depois de pronto. Passa a sensação de dever cumprido. É um trabalho natural, um processo normal”, salienta.

O artista aproveita para deixar um recado aos seus expectadores e também para quem passa pelo local. “Tirem pelo menos alguns minutos para ver, analisar e sentir a arte. Não deixem que a rotina da vida tire de vocês essa chance de observar a arte. Sejam críticos, leiam livros, observem o que estamos fazendo e também contribuam”, finaliza.

Música – O canto que uniu Acre e Roraima

A arte é capaz de selar também o amor. A prova dessa afirmativa vem do casal de músicos João Grilo (35) e Gabriela Lima (26). Ela veio de Roraima, ele é daqui. Ambos se conheceram num espetáculo de teatro. Depois de algum tempo namorando, resolveram viver juntos e criaram um projeto de música “Voz, Violão e Bongô” desenvolvido no Calçadão da Epaminondas Jácome.

Os planos do casal de músicos é viajar para o nordeste do Brasil / (Foto: Wanglézio Braga)
O projeto vem dando certo. Uma vez por semana, com a ajuda do filho Antônio (06), eles cantam um repertório de aproximadamente 40 músicas entre popular brasileira até baião do Gonzaga. Com um caderninho na mão, os músicos seguem a risca o repertório que é adaptado para lugares como praças, calçadão e o próprio Terminal. Sucessos de Jackson do Pandeiro, Luiz Gonzaga, Roberto Carlos e outros que os admiradores estão acostumados a ouvirem são incluídos nas apresentações.

“Esse é um meio de levar ás pessoas energia positiva. Afinal, é estressante o vai e vem, o trânsito e também o próprio trabalho delas. Cantar é muito bom e quando as pessoas param para receber, por meio da música, uma mensagem de força isso nos dá a alegria de continuar trabalhando aqui”, enfatiza Gabriela que recebe afirmativa de João Grilo “Chegam diversos tipos de públicos, nem todos conseguimos agradar. São pessoas de várias classes. A receptividade é boa. Aqui no centro é interessante porque muitos passam na correria, param e começam admirar nosso trabalho, deixam uma contribuição e voltam depois. Muitos parabenizam e elogiam nossos esforços”.

Gabriela define o trabalho deles como “manguiá” um termo que significa “a arte no caminho do meio”. “Isso ocorre quando você trabalha como autônomo com a arte, e começam a produzir, as pessoas interagem e contribuem. Posso afirmar que dá pra viver desta maneira”, ressalta.

Os planos do casal de músicos é viajar para o nordeste do Brasil. Por lá, eles querem incluir a sanfona nas apresentações. Estão planejando esta viagem para os próximos meses.

Os artistas também aproveitaram a oportunidade para deixar um recado especial ao público. “Quando nos ouçam ou vejam nossos artesanatos, parem e apreciem. Faça uma reflexão, ela vai ajudar a absorver algo de bom que queremos passar. Tentamos passar um sentimento melhor. Se estiver amargurado ouça uma música e veja que seus problemas serão passageiros”, finalizam.

Robson Dutra – A Estatua Viva

Há 10 anos ele faz tudo sempre igual; Arruma a mochila com maquiagem e adereço de seu personagem e sai pra trabalhar. Robson Dutra (27) nasceu em Rondônia, veio ao Acre para uma apresentação na Expoacre e nunca mais saiu daqui. É em torno do Terminal Urbano que ele mostra suas habilidades como “Estatua Viva”.

Robson nasceu em Rondônia e atua como Estatua Viva (Foto:Wanglézio Braga)
O gosto pela arte vem desde criança. Durante a vida, conheceu pessoas que impulsionaram a seguir esta carreira. Atua também como palhaço, é humorista, faz apresentações em eventos de casamento, formatura e em gerais.

Mais é nos arredores do Terminal Urbano que ele tira o sustento da família. Depois de passar a tinta prateada, vestir a roupa especial lá se vai para mais um dia de movimentos ora bruscos, ora suaves. Mais sua jornada não é tão fácil como imaginam, afinal, nem todos sabem valorizar seu trabalho.


“A maior dificuldade seria demonstrar as pessoas sem conhecimento, como apreciar a minha área de trabalho. Quero passar a elas que não estou mendigando, mais sobrevivo da arte. Lá fora, tenho um trabalho bem reconhecido, aqui posso dizer também que tenho, porém, ainda as pessoas não sabem valorizar esse tipo de apresentação”, ressalta.

sábado, 4 de julho de 2015

Vem frio por aí, aguarde!

A temperatura deve despencar nas próximas horas Foto de Wanglézio Braga

O frio deve estacionar em Rio Branco neste final de semana. Assim prevê o Sistema de Proteção da Amazônia (SIPAM). De acordo com o órgão, o tempo muda totalmente no Acre neste fim de semana com a chegada de uma frente fria. No sábado, o sol ainda vai brilhar forte no Estado e faz bastante calor, com tempo variando de parcialmente nublado a nublado na capital, no leste e no sul do Estado, com pancadas de chuva e trovoadas a partir da tarde. Nas demais áreas o tempo fica nublado com pancadas de chuva e trovoadas a partir da tarde.

Segundo o SIPAM, o tempo muda entre a tarde e a noite de sábado com a chegada da frente fria. Já no domingo o tempo fecha no Acre. Predomínio de céu encoberto, com raras aberturas de sol e possibilidade de chuva a qualquer hora do dia em todo o Estado. Esta frente fria traz mais um evento de friagem ao Estado, que vai provocar queda nas temperaturas somente no domingo.


A semana começa com a permanência da friagem no Acre. Nesta segunda-feira o tempo segue nublado, com períodos de encoberto, em todo o Estado. Há previsão de pancadas de chuva com trovoadas a qualquer hora do dia em todas as regiões acrianas. Por conta da grande quantidade de nuvens e da atuação da massa polar, a temperatura não deve subir muito no Acre neste começo de semana.

quinta-feira, 2 de julho de 2015

FOTO LEGENDA III - VIAGEM AO PERU - LIMA, BANHO TURCO E COMIDA BRASILEIRA


"Aji de Pollo com Camarão" uma delícia que provei em um restaurante indo pra Lima  


A cada cidade havia uma parada ou mini-terminal das empresas.
Em uma cidade qualquer foi possível encontrar da Flores 

Registro de uma das cidades que passamos 

A cidade de Cusco vista do alto

A medida que o dia nascia a lua brilhava intensamente 

Durante o trajeto foi possível encontrarmos grandes blocos de gelos nos altos das montanhas  

Durante o trajeto placas indicativas informavam os motoristas. As vias são bem sinalizadas
Nessa região de neblina, a impressão que tínhamos é que estávamos andando nas nuvens
 

Lá em baixo já é possível enxergarmos a cidade de Lima 


As estradas são estreitas e bem perigosas 

Lima é muito parecida com a cidade de São Paulo (SP) no que diz respeito ao trânsito
 
O tão esperado Oceano Pacífico visto do alto 

Acesse também outras fotos do início da "travel" clicando nos links abaixo:

FOTO LEGENDA I - VIAGEM AO PERU - O ESTRANHO, O MEDO E O DESEMBARQUE EM CUZCO

FOTO LEGENDA II- VIAGEM AO PERU - BANHO QUENTE/FRIO, FESTA E GUERRA DOS IDIOMAS

segunda-feira, 29 de junho de 2015

DIA DO IMIGRANTE: Chile e Peru unidos no Brasil pelo amor


Além dos ‘imigrantes’ existem também os ‘emigrantes’. Você saberia distingui-los? 

O clima tropical do Brasil e o comportamento alegre do seu povo são aspectos primordiais que contribuíram para os imigrantes buscarem uma nova vida por aqui. No Acre, isso não seria diferente, pois afinal, por todos os lados os imigrantes estão espalhados. Graças às oportunidades, eles também foram responsáveis pela construção e povoamento do nosso Estado.

No dicionário em português existe um significado resumido para a palavra ‘imigrante’. Segundo o dicionário Aurélio, ‘Imigrante’ é aquele que imigra, ou seja, aquele que entra em um país estrangeiro, com o objetivo de residir ou trabalhar. Mas, além dos ‘imigrantes’ existem também os ‘emigrantes’. Você saberia distingui-los?

O termo imigração se aplica só a pessoas que pretendem fixar residência permanente no país adotivo. Já a “Emigração” é o êxodo de indivíduos ou grupos, que consiste no abandono voluntário do seu país de origem, por motivos políticos, econômicos, religiosos etc.

No Brasil, para lembrar-se dos estrangeiros, sempre no dia 25 de junho é comemorado o “Dia do Imigrante”. Pensando nessa data, vamos prestar uma homenagem a essas pessoas relatando a história de um casal de imigrantes que vieram de outros países da América Latina e também por mostrar o trabalho voluntário que é desenvolvido por um grupo religioso na nossa capital, Rio Branco.

Não existe um número real de imigrantes que vivem no Acre, mas nos últimos anos, é visível que o Estado virou rota internacional de imigração. Sendo ilegais ou não, essas pessoas vêm dos mais diferentes continentes dispostos a mudarem de vida. A nossa história comprova tal afirmativa.

No caso dos haitianos, mais de 130 mil cruzaram a fronteira do Peru e Brasil por meio do Acre em busca de uma nova vida após o terremoto ocorrido em 2010, que destruiu a infraestrutura do país e provocou a onda de emigração.

O processo de colonização acreana teve a contribuição significativa de árabes, libaneses, alemães, bolivianos, peruanos, japoneses e também africanos que foram atraídos graças ao segmento promissor da venda da borracha quando estado exportou para a Europa durante a 2ª Guerra Mundial.



O arquiteto, Jaime Erazo nasceu no Chile e a professora, Esther Olivares veio do Peru

Chile + Peru = Brasil  

O arquiteto, Jaime Erazo nasceu no Chile e a professora, Esther Olivares veio do Peru. Atraídos pelo clima tropical e aparente tranquilidade de Rio Branco, o casal escolheu o Acre para viver. Ela mora aqui há mais de 20 anos. Ele chegou há pouco mais de dois meses. Juntos trabalham num negócio próprio voltado à venda de capas de proteção para motociclistas.

Jaime contou que ficou encantado como Estado, principalmente no quesito limpeza e acolhida das pessoas. “Venho de um lugar muito frio no Chile. Tanto frio no clima como o relacionamento com as pessoas. No Chile, as pessoas são mais fechadas, diferentes dos brasileiros que são mais calorosos. Além disso, essa cidade é muito bonita e foi por isso que resolvi vir para cá”, relata acrescentando que viver no Acre se tornou mais econômico em comparação com outros Estados da federação brasileira.

O arquiteto comenta que nem tudo é tão fácil para os estrangeiros. A questão trabalhista e o idioma são algumas barreiras que eles enfrentam. “Vocês brasileiros falam muito mais rápido. É difícil para nós compreendermos. É preciso muita atenção. Existe também a questão de emprego. Para um profissional da arquitetura que veio de outro país é muito mais difícil encontrar um trabalho, mas isso não nos desanima”, comenta.   

Esther vive a mais tempo no Acre. Ela ressalta que o clima úmido tropical foi o fator predominante para escolher o nosso estado para residir. “Em certas regiões do Peru o clima é muito frio. Eu não gosto do frio. No Chile o clima ainda é mais gelado. Desta forma eu procurei saber um pouco da cultura do Acre e também do seu clima. Essa escolha foi 20 anos atrás e hoje não penso em mudar daqui para outro lugar. A cidade é tranquila e boa de se viver”, ressalta.

A professora, que nas horas vagas também presta serviços de costura, avalia como positiva a sua experiência de vida no Acre. Ela aproveita para fazer um elogio à gastronomia brasileira. “A alimentação do Brasil é muito boa. Existe de tudo. Só acho que os brasileiros comem pouca salada e deveriam explorar ainda mais as frutas e verduras assim como fazemos no Peru”, elogia e acrescenta que para matar a saudade de sua terra natal, sempre prepara comidas típicas do Peru. 

Mas não é somente o clima agradável, a gastronomia que tem mantido a afinidade entre os dois. O futebol também faz parte da vida do casal. Aliás, isso quando não estão em campo as seleções do Peru e Chile. “Aí a história muda. Eu torço pelo Peru e ele pelo Chile. Nos próximos jogos da Copa América tenho certeza que o clima não será dos melhores entre nós. Mas o peru vai ganhar e tudo ficará bem”, brinca Esther que é retrucada pelo companheiro “O Chile é bom e também vai ganhar essa copa”.  

quarta-feira, 6 de agosto de 2014

FOTO LEGENDA II- VIAGEM AO PERU - BANHO QUENTE/FRIO, FESTA E GUERRA DOS IDIOMAS

Foto Legenda  - Parte II

Banca que vendia, além de balas e biscoitos, humildade e simplicidade  


As ruas são limpas e feitas de pedras. Ao fundo parte
de uma das igrejas e Praça das Armas


Prédio de uma Universidade em Cuzco


Um comércio que funcionava na rua do nosso hotel. Lá dentro você encontra mais lojas, funciona como uma galeria.


Depois do almoço estava preparado para conhecer a Cidade dos Incas. 


Essas senhoras aparentemente simpáticas, pedem para tirar uma foto, porém, no final do registro
você é coagido a pagar uma "propina". 


Nessa casa de café tomei o melhor capuccino do mundo. 


As ruas são estreitas e movimentadas. Calçadas são pequenas. Tenha cautela ao trafegar por elas. 


Os americanos que fizemos os primeiros contatos. Eles queriam conhecer o Brasil logo após o passeio pelo Peru. 


Sanduíches vendidos na rodoviária Internacional de Cuzco. Eles são gigantes! 


Esse foi um dos melhores registros. O que comprova que o Jornal Impresso, apesar da internet, ainda é muito importante para cultura  e conhecimento de um povo. Confesso que fiquei emocionado com esta cena. 


Bem perto da Praça das Armas tem um obelisco que vale a pena conhecer.


Seguindo a tradição européia, as casas e prédios em Cuzco possuem sacadas.No final de tarde, elas ficam ocupadas por seus moradores e convidados. 


VIAGEM AO PERU – BANHO QUENTE/FRIO, FESTA E GUERRA DOS IDIOMAS

PRIMEIRO DIA EM CUZCO 

A cidade é bem bonita. Flores e plantas dão um charme especial

 A viagem ao Peru, sem dúvida, foi marcada pelo frio excessivo. Algo que nunca havia experimentado na vida. Não era uma simples friagem como estava acostumado no Acre. Era frio mesmo daqueles de doer no couro, daquele que castiga e força seus dentes baterem um no outro sem controle. Depois de provar do Chá de Coca na cozinha, pedi para a dona do Hotel me levar ao quarto, pois além de cansado eu só queria tomar um banho e cair na cama e acordar no outro dia, outro ano, outra vida.

O quarto era pequeno, aconchegante com duas camas gigantescas e um banheiro com aquecedor. A hora de ir ao banheiro era sofrida, tendo em vista que tudo era muito gelado. Até sentar na privada era algo que precisava de muita coragem. Ligar o chuveiro então era atitude de super-heróis, afinal, se você ligasse na torneira gelada sairia um picolé, ou se ligasse na quente sairia escaldado.  

Corredor do Hotel 
Ao fundo uma das igrejas
de Cuzco erguida pelos
Europeus. 
Essa indecisão – água quente/fria - me custou várias queimaduras nas costas e nos braços. Uma vez, ao tomar banho, a água gelada havia acabado e de repente recebi de uma vez um jato de água quente, quase fervendo. Aquilo foi desesperador. Mais consegui sair dessa pulando fora da banheira.

Depois do banho, troquei de roupa e cai na cama. Minha cabeça estava rodando, meus passos eram pesados e tudo era muito estranho. Tomei o remédio da altitude e fui dormir. Enquanto isso, o Emerson bebia todas as garrafas de chá de coca do mundo e fazia novos amigos num frio de 8°C.

Por falar em novos amigos, talvez você esteja se perguntando o que aconteceu com o paulista, Gregory, que havíamos conhecido na Rodoviária de Rio Branco. Nosso último contato foi na Rodoviária, mas, ele deixou seu e-mail e marcamos de nos encontrar de noite na praça. Ele já tinha reserva em um hotel e não queria nos acompanhar.

HORA DE ACORDAR

Lá pelas tantas da tarde acordei. Olhei para o lado e o Barbosa também não tinha aguentado e havia adormecido. Acordei varado de fome, porém, estava mais habituado com o clima e aquela sensação ruim tinha passado. Daí, quando alguém me pergunta sobre o que fazer quando chegar a Cuzco, respondo que é preciso dormir, dormir e dormir.

Prato: Frango, arroz, batata e salada com abacate
Não demorou muito e ele também acordou. Tomou banho e fomos nos arrumar pra passear pela cidade dos Incas. Pra nossa sorte o hotel que nos hospedamos ficava muito próximo da Praça Principal um dos pontos turísticos de lá. Fomos andando e no trajeto, encontramos gente de todo o mundo; da Ásia, Europa, África, America, e até de marte.

Além da diversidade de pessoas, encontramos diversidades de restaurantes, hotéis, lojas comerciais e as igrejas. Fiquei impressionado foi com o trânsito. As ruas são muito, muito estreitas e feitas de pedras. Logo me veio à mente as cenas da novela “Xica da Silva”. A civilização espanhola havia passado por lá e deixou sua marca. As sacadas das casas e prédios muito bem desenhadas e modelas.

Meu primeiro contato, de fato, com a culinária peruana foi num restaurante aconchegante que nos indicaram quando caminhávamos pelas ruas. Não recordo o nome, mas, lembro que a comida era muito barata e deliciosa. Barbosa e eu não perdemos tempo e pedimos a cerveja Cusqueña.

Logo após o almoço/lanche resolvemos entrar numa casa de café. Pedimos capuccino para espantar um pouco o frio. Cada coisa gostosa; Bolos, tortas, pães e chás. Sentimos-nos fim de tarde da Europa! Batemos um papo e fomos em direção à praça.

COM OS MEUS “BOTÕES”

O a cidade lembra um "umbigo"
Enquanto andávamos pelas ruas estreitas, fica refletindo o porquê os índios apelidaram a cidade de “umbigo”. Com o passar do tempo tirei duas conclusão. Talvez seja o formato geográfico da cidade que parecia um buraco ou cova daquelas que as cozinheiras criam com ingredientes na hora de fazer o bolo. Ou ainda, pela variedade de raças que desfilam pela cidade.


As ruas de Cuzco são estreitas e movimentadas
A Praça é linda. Tem Chafariz. Tem artistas vendendo seus quadros. Tem crianças correndo dos pombos. Tem casal de namorados. Tem declaração de amor com direito a flores e até documentário de rede de tevê. Enquanto registrávamos algumas cenas e tentávamos nos acostumar com o frio, um guia turístico nos disse que do outro lado da praça é ponto de encontro dos turistas e que lá poderíamos dançar, beber e jantar.
Não ficamos muito tempo na praça. Resolvemos ir para o hotel descansar um pouco e nos arrumar para sair mais tarde...

FIESTA, FIESTA, FIESTA

Vivenciar as noites de Cuzco era algo que mais almejava. De todos os comentários que lia na internet sobre a cidade, se falava muito bem das festas que aconteciam especialmente para turistas. Todo mundo sabe que sou muito festeiro e que os ritmos latinos são os meus prediletos na hora de balançar o esqueleto.

Na Praça das Armas ou Central de Cuzco -Peru
Seguindo a orientação do guia, fomos pros bares/boates que ficavam do outro lado da praça. O mais legal é que não se paga para entrar nesses ambientes. Na entrada, você recebe um regalo (presente) dando direito a drinques e bebidas. Pelo que entendi, os bares ficam duelando para quem atraem mais clientes. Nós, que não somos bobos, fomos a todos! Bebi todas as cervejas, copos de cuba livre e margaritas que havia ganhado de cortesia.

Cada casa tinha um ambiente especifico. Havia aquelas que tocavam Cumbia romântica, outra que só tocava música eletrônica (nessa você encontra muito americano), também existe aquela que tocavam rock pesado e outra bem eclética. Num determinado momento de uma das casas adivinhe! O DJ tocou a música do cantor brasileiro Michel Teló (nossa assim você me mata) e Ilariê da Xuxa. As pessoas pulavam, gritavam e rodavam quando tocavam esses hits. Não sabia se caia na gargalhada ou chorava. Mas, resolvi cair na folia e dançar com o pessoal.

Incrível como os brasileiros são bem vindos nesses ambientes. No meu caso, não era muito difícil perceber a minha nacionalidade, já o Emerson muitos ficavam em dúvidas se era boliviano ou até mesmo peruano. Muita gente procurava falar conosco e interagir. Algumas pessoas levantavam o copo, outras pediam para sambar, ou queriam fazer amizade visando a Copa do Brasil.

Vista do quarto do hotel para a cúpula da igreja
Lembro que um alemão começou a conversar comigo em português, daí não conseguia acompanhar meu raciocínio e passou a conversar em espanhol, depois tentou em inglês, e só que eu não entendia (sou péssimo em inglês), arriscou um francês e por fim em libras. Começamos a rir da situação. Mas entendi o seu recado: Ele queria saber se poderia hospeda-lo em minha casa por que em 2014 viajaria para assistir os jogos da Copa do Mundo. Daí, até explicar pra ele onde se localizava o Acre era mais cinco horas de “Torre de Babel”.

Fizemos muitas amizades. Trocamos muitos contatos e principalmente experiências sobre viagens, cotidiano e vida. Infelizmente não encontramos o nosso recém-amigo, Gregory.


Lá pelas tantas da madrugada, Emerson e eu, resolvemos ir dormir. No portão da boate o termômetro registrava 1°C. Apesar de bêbados sentíamos muito frio, mesmo assim resolvemos ir a pé ao hotel e curtir a madrugada tranquila da cidade de 300 mil habitantes fixos.