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sábado, 29 de dezembro de 2012

Que o vosso sim, seja Sim!



Realizou o sonho de conhecer a cidade e ainda ganhou uma boneca - (Foto: Wanglézio Braga)


Andando pelo bairro da Base, avistei de longe, uma menina que se banhava com auxilio de uma panela nas margens do rio Acre. Surpreso pelo tamanho da criança e pela sincronia que ela agachava para pegar a água e passava a mão no rosto, tomei coragem e me aproximei e avistei um senhor sentado, juntamente com outras crianças enquanto uma mulher ao fundo fazia a comida. Muito curioso  resolvi averiguar aquela situação engraçada e divertida.

Mal sabia eu que aquelas pessoas seriam protagonistas de uma história rica e reflexiva. Sem dúvidas, a história do Sr. Raimundo Silveira do Nascimento, ribeirinho da fronteira entre Brasil/Peru e da sua família, é de sentar na proa do barco e tomar café de tão boa que ela é.

Em conversa rápida, ele contou que veio a Rio Branco, para cumprir uma promessa que fez há alguns dias a sua filha de nove anos.

O desejo da menina morena de cabelos encaracolados e sorrisos largos era conhecer os prédios da cidade e andar pelas lojas do centro.

Sr. Raimundo, que tem aproximadamente 40 anos, vem na capital uma vez no ano para fazer exames no hospital e consultar com o médico especialista em coluna. Na última viagem, levou consigo uma revista local onde havia fotos da cidade e do comércio central.

Fascinada pelas páginas da revista, a menina passou dias aperreando o pai para que a levasse até a cidade. O grande problema é que não existe estrada na região, ou seja, eles teriam que subir e descer o rio Acre, o que dura em média três dias e meio de viagem e cinco para retornar.

Sr. Raimundo prometeu e cumpriu. No finalzinho de maio, aproveitando que o rio estava secando, não pensou duas vezes e preparou a viagem. Trouxe consigo a esposa Dona Carmem (nova, digna de passagem), os três filhos homens (um já rapaz), uma sobrinha e as duas filhas.

Apressado pedi para tirar uma foto dele com sua família, envergonhado ele não autorizou. Daí, perguntei como foi à viagem, Raimundo respondeu que foi “difícil e perigosa, porque nosso barco enganchou em galhos secos e encalhamos por causa dos bancos de areia em alguns lugares e pegamos uma forte chuva”.

Perguntei em seguida como se alimentam e dormem durante a viagem. Ele respondeu que por questão de segurança param em diversas comunidades, dormem nas casas de parentes que também são ribeirinhos e evitam navegar de noite por causa da escuridão.

Esposa e dois filhos de Sr. Raimundo dentro do barco - (Foto: Wanglézio Braga)

Indaguei sobre o tamanho da canoa para oito pessoas, ele respondeu que viaja apenas um dia com ela e o restante faz no seu barco que está ancorado em uma comunidade.

Mesmo perplexo com a coragem dessa família e surpreendido pelo caráter do ribeirinho, não perdi tempo para refleti que ainda existe quem cumpra promessas. Prometer se tornou algo tão corriqueiro como trocar de roupas, para ele virou sinônimo de desafio, nobreza e honra.

Muitos podem pensar que isso é algo banal, mas, para um senhor doente não foi. Ele provou que, além de um bom nome, ir à capital de barco e apresentar o mundo para sua família é gostoso de ver. Afinal, ele veio com pouco dinheiro o que ainda deu para; levar sua filha ao mercado, ir ao médico e comprar algumas novidades.

Creio que para Sr. Raimundo não existe presente maior do que realizar sonho de sua filha de andar pelas ruas do centro e ainda presenteá-la com uma boneca. O sorriso pagou todos os dias que ficaram no barco e dos perigos enfrentados.

A conversa estava tão boa que nem queria ir embora, mas, como estava de passagem pelo local e cheio de afazeres tive que terminar a conversa e me despedir. 

Já de partida, perguntei a menina, já vestida, o que ela mais gostou da viagem e a resposta não poderia ser outra, “da minha boneca loira que peguei na loja grande”, respondeu ela toda esnobe com a sua mais nova aquisição.

Desejei boa viagem e pedi aos céus que abençoasse o retorno daquela família tão brasileira quanto a minha, mas, invejavelmente corajosa.

Tiro de lição que uma vez que tenha compromisso de honrar sua palavra, cumpra-o toda vez que puder, especialmente quando for fácil. Haverá muitas vezes em não poderá, ou em que isso será difícil. Se disser que vai ler uma história, faça isso. Se disser que vai sair para um passeio, faça-o. Se disser que vai consertar a bicicleta (e a casa não pegou fogo), faça isso.

Isso pode parecer um exagero. Mas o exagero ajuda quando estamos tentando estabelecer um novo comportamento para nós mesmos, especialmente quando estes comportamentos lutam contra os nossos próprios desejos e limitações. 


sexta-feira, 28 de dezembro de 2012

Bem vindos ao Meio Rio


A pessoa que vos escreve mergulhando nas águas do Quinauá  Br-364


Antes de falar sobre ele, preciso me apresentar para que você, amigo visitante, conheça o cotidiano da minha cidade e as pessoas que aparecem por aqui. Além é claro, de explicar como vai funcionar o bloco de história que nasceu a poucas horas do início de 2013.

Chamo-me Wanglézio Braga, tenho 20 e poucos anos, moro em Rio Branco/Ac. Solteiro, livre, leve solto [até quando?], não sei. Não tenho herdeiros, mas, crio a Fox Paulistinha chamada Dara Menacho que cuido como se fosse filha.

Nasci no Acre, sou apaixonado pelas belezas dessa terra que encanta seus habitantes e enfeitiça seus exploradores. Viajei, conheci o mar, o rio mais caudaloso do mundo e muita gente interessante.

Fui criado com mãe solteira, tenho quatro irmãos (três homens e uma menina), sou tio de dois sobrinhos que estão enormes, inclusive, o mais velho, será pai nos próximos meses [serei tio-avô].

Falando um pouco sobre minha carreira profissional, sou formado em Letras Português [nunca atuei na área], atualmente, estudo Comunicação Social/Jornalismo na Universidade Federal do Acre [UFAC]. Trabalhei em escritórios de licitações, fui pesquisador na Embrapa e aeroviário da empresa aérea Gol.

Comecei no jornalismo como repórter de um site de notícias local, atualmente, sou repórter político do Jornal Impresso O Rio Branco e do site de notícias O Rio Branco.net, ambos da mesma empresa *.

Trabalhei ainda na Secretaria Estadual de Educação do Acre (SEE) na Assessoria de Comunicação e tive matérias publicadas na Telesur, agência de notícias da Venezuela.

Atualmente, nas horas vagas, escrevo para uma revista temática sobre Meio Ambiente o que me ajuda a dar mais valor a nossa floresta invejável e desejada.

Sou apaixonado pelo que faço. Sou ansioso pelo que ainda não conquistei, mais chegarei lá. Meu objetivo no jornalismo está ampliando diariamente e pra mim é uma experiência inenarrável.   

Lembra como se fosse hoje, quando pequeno, brincava com os primos de apresentador de telejornal e entrevistador. No fundo do quintal lá de casa, as plantas me fascinavam, não pelas cores ou diversidades, mas pela oportunidade entrevistá-las como se fossem pessoas.

Tirar fotos, contemplar a cidade e respirar cultura que ela emana, aliás, essa foi à ideia central de montar esse espaço que apelidei, durante uma conversa, de Meio Rio.

Meio Rio é mais do que uma homenagem ao nosso rio Acre, tornou-se para mim, um símbolo de extensão, avanço, lenda e sei mais lá o quê!

A vida de repórter é colher notícias e divulga-las, por isso curto ouvir histórias de pessoas de diferentes raças, costumes, tradições, religiões e idiomas, depois passar o que assimilei para o papel. Deixar esse registro é muito bom e essencial, afinal, quem sabe a futura geração precisará quem passou e o que aconteceu por aqui. 

Como a nossa vida é corrida, quero usar esse espaço para propagar o que não virou notícia. Por isso, quase que diariamente, tentarei [juro] alimenta-lo com histórias de vida, imagens de um cotidiano quente e úmido, e os estrangeiros que encontrarei nas ruas, afinal, é nela que vou buscar a melhor história e contar pra você.

Espero que gostem, afinal, isso aqui foi feito pensando em vocês. Convido a todos para participarem com sugestões, críticas construtivas e elogios. Um forte abraço e mais uma vez sejam bem vindos. 

* Nota ao pé da página: As informações mostradas nesse espaço é de caráter pessoal e não reflete a linha editoral da empresa a qual faço parte. Os materiais apresentados aqui podem ser reproduzidos mediante citação da fonte.