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segunda-feira, 6 de julho de 2015

REGISTRO: O amanhecer na Amadeo Barbosa

E a segunda-feira sobreviveu. O frio, como havíamos anunciado chegou nesse final semana.
Que esta semana seja de menos frio, mais calor principalmente nos nossos corações e alma.
 

quarta-feira, 6 de agosto de 2014

VIAGEM AO PERU – O ESTRANHO, O MEDO E O DESEMBARQUE EM CUZCO


Oi pessoal!


Nas ruas de Cuzco o colorido chama atenção dos turistas

Sei que estou ausente desse espaço como um filho que abandonou seu pai no asilo e nunca mais voltou para vê-lo. Quero dizer que nesses tempos a minha vida está atarefada e quando tenho tempinho pra alguma coisa prefiro o descanso; seja sozinho quando ouço minhas músicas, com os amigos numa mesa de bar ou simplesmente com os meus textos de trabalho.

Hoje bateu a saudade de aparecer por aqui, contar um pouco sobre mim, sobre minhas viagens. Por isso resolvi postar algumas histórias que me lembro da viagem que fiz ao Peru (2013) nas minhas primeiras férias do Jornal O Rio Branco.

Bom, a viagem foi ótima e as experiências que tivemos por lá foram as melhores possíveis ainda mais quando você tem ao seu lado pessoas bacanas e um objetivo: Testemunhar o amor.

Ônibus que fizemos o trajeto
Em Agosto de 2013, fui convidado pelo casal de amigos - Ângela Rodrigues (ZÚ) e Francisco Pantigoso (PANT) - para participar da cerimônia de casamentos deles que aconteceu em Lima, capital do Peru. Daí, como viajar sozinho não é muito a minha praia, resolvi convidar o Emerson Barbosa (jornalista de Rondônia) a fazer essa viagem comigo.

PARTIDA

Saímos numa quarta-feira da Rodoviária Internacional de Rio Branco. O valor da passagem ida e volta [Trecho Rio Branco/Porto Maldonado/Cuzco – Cuzco/ Porto Maldonado/ Rio Branco] custou R$ 320 reais pela Movil Tur [Empresa peruana]. Por lá, encontramos um paulista que estava de passagem pela capital do Acre e que pegou o mesmo ônibus que a gente. Seu nome? Gregory Matteucci um sujeito a principio estranho mais que logo conseguiu fazer amizade conosco.
Gregory e Eu no ônibus da Movil Tur

Ás 10 horas nosso bus saiu da rodoviária e partimos para a fronteira (Epitaciolândia/Bolívia) onde fizemos nossa primeira parada para almoçar. Visivelmente ansioso, falei ao Barbosa (Emerson) que não ia almoçar comida brasileira e que daria tudo para provar da culinária dos Andes. Ele, muito fã da comida acreana não perdeu tempo e fez o seu prato estilo pedreiro (uma moita sem fim). Após o almoço, pegamos a estrada e com destino à Assis Brasil (última cidade brasileira na fronteira do Brasil com Bolívia/Peru).

No trajeto, o “comissário de terra” nos entregou um formulário para preencher que facilitaria na saída do país e na entrada do outro. O documento (escrito em espanhol/inglês e português) foi entregue na Aduana em Assis Brasil. Lá desembarcamos e registramos nos documentos junto a Polícia Federal (PF) a nossa saída.

ADUANAS BRASIL/PERU

Aduana em Assis Brasil (AC)
Embarcamos novamente e ao atravessar a ponte que liga dois países, chegamos à Aduana peruana. No desembarcar, vários cambistas querendo trocar o nosso Real por Novo Sol (nuevo soles). Marinheiros de primeira viagem, pedimos ajuda de uma senhora brasileira que morava há dez anos nos Andes Peruano. De tanto tempo que morava lá mal falava o português, mas nos ajudou identificando as cédulas verdadeiras.

Depois de trocar o nosso dinheiro foi à vez de passar pelo setor de imigração. Foi nessa hora que o medo bateu e as pernas ficaram tremulas. Meu documento (RG) estava velho e a possibilidade deles aceitarem, sem o passaporte, era muito pequena. A imigração peruana é muito exigente quanto à entrada de estrangeiros em seu solo. Minutos depois cheguei à sala do chefe da imigração puxei uma brincadeira e dei o documento para carimbar (visto de turismo).  



Wanglézio e o chefe da imigração peruana

Enquanto isso ao lado dele, uns verdadeiros armários (soldados) realizava sua segurança e com a típica cara de mal. Tremi na base quando ele perguntou quanto tempo ficaria no país. Disse a ele que passaria no máximo um mês. Ele perguntou se existia a necessidade desse tempo todo e respondi que não, mais se ele desejasse poderia liberar apenas 15 dias. Ele só olhou pro meu rosto e disse: Listo! (pronto em português).

CONVERSA VAI, CONVERSA VEM

Tudo pronto e mais algumas horas desembarcaríamos na rodoviária de Porto Maldonado. Durante o trajeto, Emerson, Gregory e Eu conversamos muito. Falamos sobre sonhos, frustrações, objetivos, carreiras e até de comida. Um das coisas que não esqueço foi o desafio que o Gregory lançou: “Estou sem rumo na vida. Quero cruzar os Andes a pé. Quero descer e subir esse lugar. Talvez siga viagem até o Equador, Colômbia ou quem sabe a Venezuela. Estou sem dinheiro e vou conseguir fazer esse percurso a pé”, afirmou.

Emerson e eu não estávamos muito acreditando na história, porém, pra nossa surpresa Gregory mostrou sua mochila cheia de alimentos, objetos para acampamento e até um mapa de sua aventura. Enquanto me concentrava na conversa dele, enxergava da janela uma triste realidade da Amazônia Peruana: A ação do homem em busca pela riqueza.

Moeda Oficial da República do Peru
Máquinas pesadas e dragas, muitas dragas na beira da estrada e dentro do rio que corta aquela região. Em um determinado trecho, foi possível contar (14 caminhões) carregados de areia saiam em filas de uma base improvisada da empresa que ali extraia o produto. Registrei algumas imagens, outras ficaram na minha memória.

Devo lembrar que o trajeto foi muito tranquilo. A carreteira (estrada) do lado peruano é linda! Sem buracos, sem desvios, muito bem sinalizada. Não posso afirmar o mesmo sobre nossa estrada brasileira. Parece mais um pedaço de queijo.

Logo, a noite caiu e segundo o comissário de terra chegaríamos ás 19 horas em Porto Maldonado (capital do Departamento de Madre de Dios). A previsão dele falhou e chegamos à cidade ás 20 horas. Desembarcamos e logo achei aquilo tudo muito estranho. A começar pelo clima (17°C) e um vento supergelado. Nossa preocupação foi encontrar o guichê da empresa para fazer a conexão com o outro ônibus que nos levaria à Cuzco. Minutos depois, ficamos sabendo que o bus sairia ás 22 horas.

No desembarque em Porto Maldonado

Rodoviária de Porto Maldonado
Depois de quase 11 horas de viagem a barriga dava sinal de fome. Na rodoviária havia vários biscoitos e pequenos lanches com aparência bem gostosa, mas a fumaça e o cheiro que vinha lá de fora me atraiu. 

Avistamos pequenas barracas que vendiam jantas (cena) e produtos comuns em mercados. De cara, avistei um homem tomando um caldo servido num prato de alumínio com pedaços de frango (Pollo) com batatas e macaxeira (mandioca).

A cena não era das melhores, tendo em vista que ao passo que olhava pra ele logo acima de sua cabeça, no telhado, passou um rato gigantesco (No Brasil seria classificado como uma cutia). Aí a vontade de comer ficou por lá. Emerson se encantou com um prato de Pollo frito com batatas e salada com abacate. Até que curti a ideia, daí fui na opção dele e resolvemos arriscar. Pedi uma coca cola e não tinha. Pedi uma Fanta Laranja, também não tinha. A única coisa que existia ali era água mineral e Inca Kola (tem coloração amarelo-ouro).

Garrafa de Inca Kola 
Pedi a tal Inca Kola e tomei mais da metade pra ajudar a descer. Nossa maior preocupação foi com a saúde, pois afinal, sem ela como viveríamos para contar a história depois?

Depois da gororoba segui as dicas da minha colega, Mircléia Magalhães, de comprar uma pílula para náuseas, enjoos e problemas de pressão por causa da altitude. Procuramos a bendita pílula, mais não havia disponível nas barracas. Até que por indicação de um senhor, encontramos e tratamos logo de tomar para fazer efeito na viagem, afinal, iríamos subir as cordilheiras na madrugada.

CONEXÃO EM PORTO MALDONADO

O tempo passou e o horário do embarque chegou. Fomos os últimos a entrar no ônibus. O Gregory também pegou o mesmo ônibus de conexão que a gente. Ele estava nos procurando desesperadamente pela rodoviária porque ouviu alguém dizer que sairia em poucos minutos. Corremos até o guichê da administração da rodoviária para efetuar o pagamento do imposto de embarque (Aproximadamente 2 Sol Novo). Passagens carimbadas e o embarque feito às pressas.

Chegando ao terminal, pegamos nosso ônibus de três andares, equipado com televisão, poltronas mega reclináveis, banheiro gigantesco e um som ambiente regado ao estilo Cumbia Romântica. Ficamos no primeiro andar lá de cima. Visão privilegiada! Pena que de noite não enxergamos muita coisa, mas o amanhecer foi espetacular. Lembro que na poltrona da frente havia uma família (pai, mãe, um bebê de colo e um menino mais crescido), ao lado três americanas e uma francesa.

Ela recebeu o apelido de "Bonita" por seu charme e carisma
Minutos depois de viagem, o anúncio da Comissária de Terra, apelidada de bonita (porque ela é realmente muito bonita), explicava que ônibus era equipado com calefacción (aquecimento), banheiro que era usado apenas para urinar (ela frisou que era apenas para urinar se alguém quiser fazer o número 2 deveria avisar ao motorista, ele pararia no meio da estrada e a pessoa descia) e que serviria em breve um lanche aos passageiros.

Lanche servido no ônibus
Começamos a conversar, Emerson e Eu, falamos das nossas vidas de jornalistas, das dificuldades de trabalhar na área, dos benefícios de ser um comunicador, conversamos dentre outros assuntos dos amores e das pessoas. O papo ia fluindo muito bem, até que a Bonita (Comissária de terra) veio nos oferecer uma caixinha com bolacha (salgada), um pedaço de bolo de laranja e Cupcake com Inca Kola e água mineral.  Não perdemos tempo e fizemos amizade com ela, porém, a coitada sozinha fazia o serviço de bordo nos três andares e pouco tempo teve para conversar conosco.

Não demorou muito para eu sentir um friozinho a mais, afinal, escolhi o lado da janela, e perceber que os vidros estavam embaçados. Dentro do ônibus pouco se ouvia barulho, só da Cumbia que tocava na rádio interna. Minutos depois a sinfonia de roncos e tosse indicava que as pessoas estavam cansadas, ou dormindo e dando os primeiros sinais da altitude.

Uma horinha depois começamos a subir as cordilheiras. Subíamos em forma de circulo. Subíamos, subíamos , subíamos e foi assim o restante da viagem. Parecia que nunca mais andaríamos em linha reta como na estrada. Lá pelas tantas da madrugada, sem pregar um olho, as meninas do lado começaram a passar mal. Uma delas encheu o saquinho para vomito, outra reclamava de dor de cabeça. Emerson não aguentou e dormiu. Talvez para não testemunhar a cena ou ainda seria a melhor forma de passar aquela experiência horripilante de subir as cordilheiras e não sentir “coisas”.

Descendo, descendo, descendo (...) 
Da janela menos embaçada avistava os paredões de pedras e os carros passando espremidos ao lado do nosso ônibus. A cada ultrapassagem, só Deus sabe o quanto eu morria de medo de bater naquele negócio e cair no abismo. Mesmo assim resolvi ouvir meu MP3 ao som de (Ivan Lins, Caetano Veloso, 14 bis e sertanejo universitário misturado com pop rock). Não custou muito para sentir os olhos pesando. Numa pestanejada e o sono me consumiu.

Tempos depois acordei e nosso ônibus continuava a subir as estradas das Cordilheiras. Olho para o lado e vejo a maioria das pessoas dormindo. Olho pro outro lado e testifico os primeiros raios do sol. Vejo também lá em baixo pequenas luzes acessas (infindáveis pontinhos de luzes) e pensava que estaríamos chegando ao destino: Cuzco.

A viagem prossegue e volto a dormir. De repente, o ônibus começa a descer, descer e descer. Era algo muito rápido como se não estivesse com freios. O meu coração acelerou, comecei a suar e ficar preocupado com a velocidade do ônibus que ameaçava bater nos paredões de pedras ou quem sabe nas carretas que por lá trafegam. Resolvi acordar o Barbosa. O cara também ficou aflito! Não sabíamos se nos despedíamos ou deixávamos recado para nossas mães se alguém sobrevivesse.


Montanhas de gelo nas Cordilheiras dos Andes 

O dia clareou e sou acordado pelo barulho de um senhor que seria o primeiro a descer no trajeto. Lá em baixo ele pegava seus pertences e abraçava sua família. Deu um beijo numa senhora, tal sua esposa, que vestia uma roupa de lã colorida e um chapéu esquisito. Barbosa e Eu, nesse momento, passávamos a lembrar das cenas de terror que vivemos na madrugada. Logo em seguida os outros passageiros também comentavam sobre a viagem.

Nessa altura da viagem as primeiras características de Cuzco se revelavam. Casas bem pobres construídas nas pedras. Na beira da estrada era possível testemunhar a vida no campo rural; animais soltos na estrada, carroças carregadas com alimentos e a famosa folha de coca amontoadas em sacos de fibra.

Nosso café da manhã (Desayuno) foi servido dentro do ônibus. Sucos, bolachas, Inca Kola e Chá foram servidos pela Comissária Bonita. Optei pelos biscoitos que havia comprado no Brasil e tomei suco e Inca Kola. Já o Barbosa foi com o Desayuno da casa.

Tantas horas de viagem e algumas coisas começaram a me aborrecer. O Choro inconstante do bebê da frente, o mau-cheiro insuportável do banheiro e a aflição de sair daquela estrada. Demorou só mais um pouco e depois de 22 horas (de Rio Branco a Cuzco) chegamos à cidade dos Incas.

O DESEMBARQUE EM CUZCO

Na rodoviária a grata surpresa: Não sabia se estava na torre de babel ou encontro internacional de vários países. Pense num lugar cheio de gente de várias partes do planeta! Agora imagine todo mundo gritando e falando alto como se não houvesse o amanhã! Pensou? Pois bem, assim era o ambiente da estranha Rodoviária de Cuzco.

Rodoviária Internacional de Cuzco - Peru
O frio de (10° C + vento gelado) deram ás boas vindas aos turistas medrosos (Emerson e Eu).  No desembarque, comecei a sentir algo diferente. Emerson falava algo e ouvia segundos depois com deley. O corpo pesava muito e era impossível respirar naquele ambiente. Logo pensei: Coisas da altitude.

Pegamos nossas coisas e fomos procurar hotel. Ainda na Rodoviária, no portal de saída, encontramos uma senhora de estatura baixa que vendia estadias. Sua cara não era das melhores. Sei que não podemos e que é deselegante julgar as pessoas por sua aparência, mas seguindo as orientações de quem já visitou o Peru – “Tome cuidado na rodoviária! Cuidado com o golpe! Muitos peruanos gostam de dar golpe nos brasileiros”! – resolvi informar ao Barbosa que negociaríamos com outra pessoal o hotel pois ela não passou confiança.

Barbosa concordou e resolvemos procurar outros agentes de turismo. Demos uma volta na rodoviária e ele encasquetou com essa mulher e resolveu ouvir a proposta. Resultado: depois de muito convencimento ficamos no hotel dela (Tupana Wasi). Pegamos um táxi e ela nos levou para conhecer as instalações.

Rua do hotel Tuapana Wasi

Quando chegamos, paramos o carro no meio da rua e os motoristas começaram a buzinar. Era algo estranho e muito estreito. Daí, começamos a nos familiarizar com ela e o ambiente e aceitamos ficar. A senhora, de imediato, nos ofereceu chá da folha de coca e perguntou se queríamos fazer o Desayuno. Barbosa aceitou, porém, eu só queria dormir e passar aquela coisa ruim. (Continua...) 


quarta-feira, 2 de janeiro de 2013

De jogador equatoriano famoso a microempresário no Brasil



Júlio César na estrada do Equador - Arquivo Pessoal

Nuvens carregadas ameaçavam chover a qualquer hora na tarde de hoje, mesmo assim, pego minha motoca em busca de mais um personagem. Desta vez, indicado por Chango o dono da (El pincel viajeiro). Pelas descrições do peruano, procuro um rapaz franzino, de traços indígenas e com sotaque Castelhano/português e proprietário de um lanche.

No bairro indicado, ninguém o conhece, até que estaciono próximo a um comércio e pergunto: - Conhece algum equatoriano?

Assustado, Júlio César Hernandes, de 26 anos, respondeu que é equatoriano, e retribuiu minha pergunta com um olhar de medo, curiosidade e esperança.

Tiro o capacete, cumprimento-o, me identifico e pergunto se poderíamos conversar. Levou-me até a sua casa que fica a poucos metros do rio Acre para mostrar como vive com sua namorada, o que faz no Brasil e relatar a sua interessante história de vida.

Chegando a sua residência humilde, cedida pelo sogro, me convidou para entrar e a chuva que ameaçava cair, desabou por longas horas. Mesmo assim, começamos a papear, e ele disse que enfrentou cinco dias dentro do ônibus para realizar um sonho em terras brasileiras, ou melhor, nos gramados dos times do país; ser jogado do flamengo e conhecido que nem o Zico.

Júlio é um famoso jogador profissional de futebol. Em Guayaquil, cidade habitada por 85% da população negra do Equador, jogou pelo Sociedad Desportivo Quito um dos times mais famosos, depois da seleção equatoriana. Teve ainda participação na seleção do Equador na categoria sub-20.

Antes de falar sobre sua carreira e dos primeiros dribles no futebol, ele me explicou que seu pai também era atleta e que vivia numa cidade litorânea, junto da   sua mãe e mais quatro irmãs.             

Com seu time aos 6 anos - Arquivo Pessoal 

Pergunto sobre sua infância, e apontando para a chuva, diz que o cheiro e o barulho das águas trazem boas recordações como pescar ao lado do pai na beira do mar, das excursões que fazia com os amigos em busca da onda perfeita e da água de Jamaica que pegava dos coqueiros da serra.

Relatando sobre a viagem para cá, contou que foram longas horas abordo do ônibus e que passou por cidades estranhas e deslumbrou belíssimos cenários da natureza, como por exemplo, o sobrevou de uma flamingo próximo a sua janela.

Mais calmo e empolgado, fala da viagem para Argentina. Ao completar 18 anos e se revelando um craque, embarcou e desvendou as terras de Cristina Kirchner em busca de oportunidades, mas, sem sucesso.

De volta ao Equador, trabalhou como barman em um hotel que pertencia a uma família Judia. Conheceu e fez amigos da Alemanha, Brasil, França e Peru.

Conta ele que “um homem me reconheceu na fila de emprego e elogiou meu trabalho como jogador de futebol. O judeu, dono do estabelecimento, falou que não iria me contratar por não ter perfil para a vaga. O homem que estava na fila comentou que eu era muito bom no futebol. O judeu que gosta de futebol e tem um time mais que (não sabe jogar), me convidou para jogar, no entanto, recusei porque anteriormente havia frustrado na Argentina e o judeu me ameaçou dizendo que só me aceitaria como barman se fosse jogar no seu time. Como era trabalho, e no Equador é difícil, resolvi aceitar prontamente o emprego”, disse contando ainda que “depois de contratado, todos os dias, os judeus falavam seus idiomas o que me ajudou a compreender alguns costumes e crenças”.

O desembarque em terras de Zico, Pelé e Ronaldo.

Depois de reacender a chama no time do judeu, decidiu o equatoriano que precisava ir ao Brasil e vestir a camisa de algum clube, tudo por influencias do seu pai e desejo de conhecer os seus ídolos brasileiros.

Na primeira oportunidade, Júlio com 23 anos, saiu do litoral na fronteira do Equador e Colômbia, atravessou o Peru e chegou ao Brasil pelo Acre no final de setembro de 2009. Foram longos dias dentro do ônibus (ele não tomou banho por cinco dias e só comeu pequenos lanches).

Enfrentou uma saga para receber a autorização e o visto no país. Ao chegar a em Xapuri, foi abordado pela Polícia Federal ordenou retornar à Epitaciolândia para registra-lo no sistema. Sem dinheiro, Hernanes deve que retornar a pé, mas por sorte, conseguiu uma carona até a fronteira.

Típica pochete equatoriana - Foto: Wanglézio Braga

Peço que detalhe como a cultura do seu país, rapidamente, corre até o seu quarto e trouxe consigo uma bolsa contendo algumas miniaturas típicas do Equador. Entre os objetos apresentado, uma pochete, que dentro dela havia um cordão preto e uma minúscula bolsa vermelha.

Quando peguei o objeto, disse ele que 'sentirá medo após contar a história do cordão vermelho'. Na hora pergunto porque e responde que, "é comum nas aldeias indígenas do Equador, extrair pedaços de ossos dos ancestrais para atrair sorte. Nesse que você segura, carrego pedaços do dedo do meu avô", explicou rindo da minha expressão facial.

Dentro da bolsa havia pedaços de ossos - Foto: Wanglézio Braga

Depois da explicação macabra, mudei de assunto e perguntei o que ele mais acha de diferente no Brasil. Ele respondeu que algumas expressões são bem parecidas do seu idioma e outras um tanto inusitadas.

“Certa vez, esperava o autobus (ônibus em português) juntamente com um colombiano, e duas mulheres estavam próximas a mim, de repente, o ônibus se aproximou e gritei:- Vamos colar a buceta! (Vamos pegar o ônibus!)”.

A reação das mulheres que estavam próximas, não foi a melhor. Uma delas deu tapa no  braço  de Júlio, que prontamente explicou que estava referindo-se ao ônibus. “Sem entender, todos rimos muito até perder o ônibus”, esclareceu o vocabulário aparentemente chulo.

“Costumamos comer garapa de cana que se chama “Panela” no Equador. Quando cheguei a Rio Branco fui ao supermercado para comprar, infelizmente não achei. Pedi ajuda de um funcionário que me levou a seção de panelas. Fiz cara feia, pedi uma caneta e um pedaço de papel para desenhar o que queria. Ele trouxe e para a minha sorte, um rapaz que estuda na Bolívia explicou que no Brasil chama-se “Rapadura ou Açúcar Mascavo em barra” e não panela”, contou gargalhando.

Audácia na cafeteria e sua amada namorada

Comentando sobre o assédio das fãs e dos amores conquistados, o equatoriano revela que conheceu inúmeras mulheres inclusive uma americana.

“Trabalhei em Guayaquil numa cafeteria e lá cuidava de por café na xícara e entregava aos garçons. Num dia de trabalho encontrei uma cliente americana que pediu café expresso e ficou sentada aguardando. Ela era muito bonita, por minutos fiquei contemplando aquela beleza norte-americana. Correndo o risco de perder o emprego, aprontei e fui pessoalmente servi-la. Minha supervisora ficou muito chateada por essa atitude, afinal, existem garçons para servir. Mesmo assim, falei para americana que meu expediente terminava ás 9h e desejava muito conhecê-la. Ela concordou e voltei ao meu setor onde recebi uma advertência”, relatou e continuou, “namorei com ela por alguns anos onde aprendi falar inglês. Planejamos morar nos Estados Unidos, mas isso não foi possível por causa da burocracia americana. Ela foi embora e nunca mais nos falamos”, lembrou.

“Quando desembarque em Rio Branco as pessoas diziam que encontraria mulheres bonitas. Atestei quando conheci a minha atual namorada. Ela trabalhava num lanche no centro. Quando ela passava pela Gameleira meu coração palpitava. Certa vez a encontrei numa festa. Ela estava toda linda de cabelo encaracolado, maquiada e usava um batom que chamava atenção. Apaixonei-me mais ainda nessa hora. De repente, passei a visitar sua casa uma vez por semana e conversei com o seu pai sobre o nosso namoro, estamos juntos alguns meses e espero continuar com ela, pois é batalhadora, inteligente e bonita”.

Enfrentou dificuldades e não esqueceu o futebol

No Desportivo Quito- Arquivo Pessoal

Sendo um jogador famoso em seu país, Julio César, não teve muita sorte nos gramados brasileiros, ou seja, ainda não alcançou a fama desejada. Os times de futebol acreanos não os melhores do cenário nacional, mais foi que conseguiu por enquanto.

Contou que seu primo mora em Minas Gerais, e por lá, tentou agendar uma reunião com caçadores de talentos dos times mineiros, mas espera até hoje um contato dos contratadores.

No currículo, jogou uma temporada pelo Vasco mais foi demitido por não ter conseguido regularizar os documentos junto á embaixada. A regularização é um dos principais problemas que ele enfrentou nos últimos anos (ele e muitos outros estrangeiros que chegam à fronteira do Acre).

Contou que sua família insistentemente – por telefone ou internet – por seu regresse ao Equador, ele responde que “voltarei quando realmente conseguir os meus objetivos”, afirmou com muita convicção.

Para sobreviver em solo acreano, Hernanes trabalhou como barman e técnico de refrigeração, no entanto, o preconceito por ser estrangeiro foi à causa das demissões. Por isso, resolveu criar o próprio negócio e há três meses tornou-se um microempresário.

“Já que precisava trabalhar em alguma coisa, resolvi montar o meu próprio negócio. Comprava os salgados e revendia nas ruas. Como não deu certo, aprendi a produzir os lanche e abrir uma lanchonete com ajuda do meu sogro. Junto com a minha namorada produzimos 60 salgados por dia. Graças a Deus os negócios estão indo muito bem”, contou.
Empolgado, me contou que também trabalha com peças de artesanato, no entanto, por respeito à natureza e a biodiversidade amazônica, não confecciona a arte.

Indago sobre sua carreira no futebol, dos sonhos e do futuro. Suspirando, responde que “vou conseguir! Passou alguns anos, estou me acostumando com a cidade e a cultura do povo brasileiro. Corro diariamente pelas ruas, treino futebol com um grupo de pessoas e procuro contatos.  Deus está preparando algo de bom na minha vida, eu creio!”.

Encerro a história de hoje torcendo pelo sucesso de Júlio e resumo tudo que contei em  duas citações. Uma do trecho da música do Skank que reza; “Quem não sonhou em ser um jogador de futebol? Que emocionante é uma partida de futebol”, e a outra de Clarice Lispector que diz; “Sonhe com aquilo que você quiser. Seja o que você quer ser, porque você possui apenas uma vida e nela só se tem uma chance de fazer aquilo que se quer”.

segunda-feira, 31 de dezembro de 2012

Até ano que vem

"Se choras por não ter visto o por-do-sol, ás lágrimas não te deixarão ver as Estrelas" - Bob Marley

Foto: Wanglézio Braga 


Foto: Wanglézio Braga 

Foto: Wanglézio Braga



Chango veio pra cá, rodopiou no salão e mostrou que é bom conhecer a cultura alheia


Arquivo pessoal 

Dia desses, saindo de uma festa latina no Clube Tentamen, encontrei um homem de estilo diferente, trajando jaqueta preta, cabelo estilo Neymar, uma trança que caia de lado no pescoço, óculos escuros e de sandálias.  

Muito sorridente e simpático com a minha amiga, que estava magnífica naquela noite, identifica-se como “Chango” nascido em Lima, Capital do Peru.

Cumprimentamos-nos e começamos a papear sobre as danças latinas e das musicas que estava tocando. Prontamente, minha amiga, perguntou se ele dançava salsa, merengue e a cumbia (típicas em seu país). Sem pestanejar, ele responde com passos de cumbia e diz que dava aula de dança (pra não dizer show).

Como de sempre, Ângela e eu, caímos na gargalhada e não botamos muita fé no gingado do peruano esquisito.  

Saímos para comprar chiclete de caixinha na Rua 24 de janeiro e quando voltamos, encontramos o Sr. Chango rodopiando no salão com uma morena que dançavam freneticamente um lambadão. Nessa hora, Angel e eu, ficamos impressionados com aquele rodopiado e gingado que ambos faziam.

Confesso que até tentamos pegar alguns passos, mais não dava, eram rápidos demais e tínhamos outra festa para irmos (não poderíamos suar).

Arquivo pessoal


Dias depois, novamente, Ângela eu, fomos dar um bordejo no Novo Mercado Velho onde acontecia uma feira artesanal. De repente, avistamos uma roda e no meio, um artista de rua pintando belíssimos quadros. Quem era? “Chango” o dançarino. Esperamos acabar a apresentação, fomos correndo cumprimenta-lo.

Com jeito simpático e “Hermano” de tratar os outros, foi logo dizendo que tinha uma cabeça boa e que se lembrava dos nossos rostos.

Novamente papeamos por algumas horas, trocamos contatos, e marcamos para nos ensinar uns passos na casa da Ana. Mesmo assim, combinamos para o dia seguinte tomar uma cerveja no mercadão e almoçar um tambaqui frito.

Chegando lá, encontro o peruano vestindo uma camisa laranja com desenhos indígenas dizendo que havia confeccionado a camisa. Daí, pergunto sobre sua profissão. Ele relatou que era professor de dança, guia turístico, artesão, pintor de quadros feito com tinta óleo/spray, empresário, músico e que falava francês, português, inglês e italiano.

Explicou que seu nome verdadeiro era Piero Aranibar B., mas era conhecido por “Chango” que significa “macaco forte”, tendo em vista que desde pequeno malhava e quando passeava por seu bairro todos gritavam “lá vai o Chango!”.

Aos 36 anos, Piero Aranibar é pai de três meninas sendo duas peruanas e uma dominicana. No Peru, casou-se bem cedo e depois terminou o relacionamento onde viajou para outros países da America do Sul e ilhas do Caribe em busca de conhecimento, aventura e novos amores.

Ele conta que desde pequeno se considerava um artista e que sua cidade, Lima, não proporcionava cultura e arte suficiente. Por meio das viagens que fazia se deleitava em conhecimento, aventura e quebrava paradigmas impostos por sua mãe.

“De trem, avião, barco, carro, moto e até de pé”, explica ele, “conheci Argentina, Chile, Bolívia, Equador, Colômbia, República Dominicana, San Martin, Haiti e agora, o grandioso Brasil”.

Por onde passou, aprendeu! Aprendeu que é preciso respeitar a cultura de cada povo e que é fundamental ser assertivo (ter inúmeras qualidades) para ser mochileiro, e no final, sobreviver.
Chango - hora dava atenção ao prato de galinha caipira, hora conversava comigo - contou das inúmeras histórias que presenciou em suas andanças pelo mundo a fora e que me fez gargalhar e imaginar tais situações.

O beijo santo, expulso de um ritual e expressões nada convencionais


Arquivo Pessoal

Chango relatou que em sua viagem a Porto Príncipe, capital do Haiti, esperava na rodoviária um táxi para leva-lo até o hotel. De repente, encontrou um homem negro, alto, forte em cima de uma moto que estalou um beijo em sua direção e com o pescoço fez um convite para subir no veiculo. Prontamente ele recusou e pensou que o homem estava com má intenção. O gesto foi seguido por três outros haitianos que aproximavam de suas malas empoeiradas.

“Fui numa loja que tinha uma mulher linda, alta, de cabelos longos e pelo visto dona do lugar. Antes de perguntar como conseguiria um táxi, ela fez o mesmo gesto que os homens da moto. Pense! puxa to palpitando o coração dessa gente, sou bonito mesmo!... Até que descobri que eram apenas cumprimentos e espécie de indagações como; O que você quer? O que procura? Quer táxi?”, explicou e continuou, “aí entendi que aquilo era um cumprimento e não uma paquera ou cantada”.

“Na fronteira do Haiti, presenciou algumas pessoas vestidas de branco que nem os praticantes do candomblé, que dançavam, cantavam e bebiam. Um deles me ofereceu um copo de cachaça, tomei e segui o grupo que dançava para comemorar alguma coisa boa. Mais na frente, entramos numa caverna onde ouvi uma voz trêmula e um senhor sentado e em sua volta havia crânios e velas. Ele era alto e tinha olhos brancos (parecia cego), e as pessoas faziam filas para entregar alimentos, cachaça e dinheiro. Enquanto chegava a minha vez, sem presente algum, notei que em sua barba grande, havia muitas abelhas que faziam um barulho estarrecedor. Quando chegou a hora de entregar o que não tinha, passei minha mão próxima à barba dele (que tinha mel) para espantar as abelhas. Aquilo foi uma afronta. Todo mundo correu com medo das abelhas e alguns homens corriam atrás de mim. Dois deles me alcançou e fui jogado pra fora da caverna. Depois disso, todos os lugares que visitei as pessoas me apontavam como se tivesse acusando de alguma coisa. Foi aqui que entendi que tinha acabado com um ritual deles e que o homem era um guru”, relatou.

Por minutos gargalhamos e ele continuou contando...

 “Sabe das aquelas moedas pequenas que dão de troco? Pois bem, chego à República Dominicana e quando desço do carro uma família (marido, esposa e um bebê de colo) me aguardavam. Na minha mão direita uma mala, na esquerda outra e nas mãos, muitas moedas. Daí, muito hospitaleiros, o marido pegou uma mala, a esposa mesmo com o bebê outra e minhas mãos cheias de moeda. Pedi pra levar uma mala, e eles recusaram. Novamente pedi para segurar o bebê e a mulher entregou para mim. Aproximei-me do bolso dela e disse que poderia ficar com o meu “Rípio” que na minha cidade significa piçarra (pelo tamanho e quantidade das moedas). Revoltada, a mulher começou a me tratar estupidamente, o marido soltou a minha mala e arrancaram o bebê dos meus braços. Procurei um tradutor e descobrir que, tinha oferecido no idioma deles a péle do meu pênis. Só aí descobri que as expressões eram convencionais e ainda saí do vilarejo como tarado”.

Novamente gargalhei e as pessoas próximas da nossa mesa ficaram olhando... E ele voltou a contar que...

“Sempre gostei de música, de tocar violão e ouvir a “Banda Toto”. Nas viagens pelos países, procuro conhecer as lojas que vendem discos. Encontrei uma que tinha como atendente uma moça alta com sorriso encantador. Pergunte se tinha Toto, ela fechou a cara e respondeu que tinha mais que não era mim. Sem entender apontei para o disco na prateleira e mais calma explicou que Toto em seu idioma significava vagina. Mais uma vez fiquei morrendo de vergonha”, disse.

"Insatisfeito, continuarei viajando em busca da cultura perfeita"

Chango disse que veio para o Brasil com um único objetivo; conhecer a cultura do país. Aqui conheceu uma Italiana que se apaixonou e casou. Não teve filhos com ela e confessou que o casamento não vai muito bem.

Viajou para a Bahia, Rio Grande do Sul, São Paulo, mas, o Rio de Janeiro foi o lugar escolhido para morar e construir o próprio negócio. Na cidade carioca, ele montou a El Pincel Viajeiro uma empresa especializada em pinturas corporais, em tecidos e quadros.


Pintura feita  com Spray - Arquivo Pessoal 

Pintura feita com Tinta  óleo - Arquivo pessoal 

[Veja um pouco dos trabalhos de Chango em http://pieroaranibar.artelista.com/ 
ou elpincelviajeiro@gmail.com

Ainda sedento pela cultura alheia, o peruano, viajou para o Acre onde vive há três meses e ficará até o próximo 01 de janeiro de 2013. Ele pretende retornar ao Rio de Janeiro para tocar sua empresa, e é claro, viajar por outros países do continente.

Família, saudades e futuro.

Nosso papo foi tão bom que nem percebi que havia devorado a galinha caipira. Mesmo ciente de que não encontrou a cultura que tanto almeja, pergunto como é viver longe da família.

Chango contou que seu pai e o irmão mais velho vivem nos Estados Unidos, já o mais novo, é empresário na Ilha de San Martin e sua mãe continua morando no Peru. Pergunto sobre suas filhas, lembrou-se do casamento com uma hatiana a qual ficou grávida e ambos foram morar na República Dominicana. Essa filha que ele tenta busca-la para morar no Peru ou no Brasil.

“Sinto saudade de todas, mais, a dominicana quero busca-la a qualquer custo para oferecer uma educação de qualidade e conforto”, disse lembrando-se das outras duas, “as outras peruaninhas também amo muito, de seis em seis meses vou a Lima para vê-las e matar a saudade sem contar nas conversas pelo Skype”.

Finalizando a sessão de interrogatório, pergunto sobre o seu futuro. “Meu futuro a Deus pertence. Quero rodar o mundo a fora, ir aos Estados Unidos e rever meu pai que não vejo há 15 anos. Antes de regressar, vou conhecer todas as regiões do Brasil e partirei em busca de novas realidades”, concluiu a entrevista e o almoço.

Durante horas que conversei com Chango notei que é preciso respeitar as pessoas (vestimenta, raça e ideais) e acima de tudo, é fundamental viajar mais, vivenciar coisas boas e lutar pelos sonhos. Com isso em mente, espero que 2013 seja o ano de viagens e do conhecimento, pois é ele que move o planeta. 

Na próxima postagem, vamos conhecer um Equatoriano que casou com um acreana e que não quer sair daqui jamais. Não perca!