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| "Pois a família é o perfeito vínculo de união". |
História de estrangeiros. Fotografias e imagens do dia-a-dia no Acre. Curiosidades e dicas de cultura. Notícias e sugestões de pautas. Um pouco do que acontece abaixo da linha do Equador.
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quarta-feira, 1 de julho de 2015
quarta-feira, 6 de agosto de 2014
FOTO LEGENDA II- VIAGEM AO PERU - BANHO QUENTE/FRIO, FESTA E GUERRA DOS IDIOMAS
| Foto Legenda - Parte II |
Banca que vendia, além de balas e biscoitos, humildade e simplicidade |
As ruas são limpas e feitas de pedras. Ao fundo parte
|
Prédio de uma Universidade em Cuzco |
Um comércio que funcionava na rua do nosso hotel. Lá dentro você encontra mais lojas, funciona como uma galeria. |
Depois do almoço estava preparado para conhecer a Cidade dos Incas. |
Essas senhoras aparentemente simpáticas, pedem para tirar uma foto, porém, no final do registro
|
Nessa casa de café tomei o melhor capuccino do mundo. |
As ruas são estreitas e movimentadas. Calçadas são pequenas. Tenha cautela ao trafegar por elas. |
Os americanos que fizemos os primeiros contatos. Eles queriam conhecer o Brasil logo após o passeio pelo Peru. |
Sanduíches vendidos na rodoviária Internacional de Cuzco. Eles são gigantes! |
Bem perto da Praça das Armas tem um obelisco que vale a pena conhecer. |
Seguindo a tradição européia, as casas e prédios em Cuzco possuem sacadas.No final de tarde, elas ficam ocupadas por seus moradores e convidados. |
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Wanglézio Braga
VIAGEM AO PERU – BANHO QUENTE/FRIO, FESTA E GUERRA DOS IDIOMAS
PRIMEIRO DIA EM CUZCO
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| A cidade é bem bonita. Flores e plantas dão um charme especial |
A viagem ao Peru, sem
dúvida, foi marcada pelo frio excessivo. Algo que nunca havia experimentado na
vida. Não era uma simples friagem como estava acostumado no Acre. Era frio
mesmo daqueles de doer no couro, daquele que castiga e força seus dentes
baterem um no outro sem controle. Depois de provar do Chá de Coca na cozinha,
pedi para a dona do Hotel me levar ao quarto, pois além de cansado eu só queria
tomar um banho e cair na cama e acordar no outro dia, outro ano, outra vida.
O quarto era pequeno,
aconchegante com duas camas gigantescas e um banheiro com aquecedor. A hora de
ir ao banheiro era sofrida, tendo em vista que tudo era muito gelado. Até
sentar na privada era algo que precisava de muita coragem. Ligar o chuveiro
então era atitude de super-heróis, afinal, se você ligasse na torneira gelada
sairia um picolé, ou se ligasse na quente sairia escaldado.
| Corredor do Hotel |
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| Ao fundo uma das igrejas de Cuzco erguida pelos Europeus. |
Essa indecisão – água quente/fria
- me custou várias queimaduras nas costas e nos braços. Uma vez, ao tomar
banho, a água gelada havia acabado e de repente recebi de uma vez um jato de
água quente, quase fervendo. Aquilo foi desesperador. Mais consegui sair dessa
pulando fora da banheira.
Depois do banho,
troquei de roupa e cai na cama. Minha cabeça estava rodando, meus passos eram
pesados e tudo era muito estranho. Tomei o remédio da altitude e fui dormir.
Enquanto isso, o Emerson bebia todas as garrafas de chá de coca do mundo e fazia
novos amigos num frio de 8°C.
Por falar em novos
amigos, talvez você esteja se perguntando o que aconteceu com o paulista,
Gregory, que havíamos conhecido na Rodoviária de Rio Branco. Nosso último
contato foi na Rodoviária, mas, ele deixou seu e-mail e marcamos de nos
encontrar de noite na praça. Ele já tinha reserva em um hotel e não queria nos
acompanhar.
HORA
DE ACORDAR
Lá pelas tantas da
tarde acordei. Olhei para o lado e o Barbosa também não tinha aguentado e havia
adormecido. Acordei varado de fome, porém, estava mais habituado com o clima e
aquela sensação ruim tinha passado. Daí, quando alguém me pergunta sobre o que
fazer quando chegar a Cuzco, respondo que é preciso dormir, dormir e dormir.
| Prato: Frango, arroz, batata e salada com abacate |
Não demorou muito e ele
também acordou. Tomou banho e fomos nos arrumar pra passear pela cidade dos
Incas. Pra nossa sorte o hotel que nos hospedamos ficava muito próximo da Praça
Principal um dos pontos turísticos de lá. Fomos andando e no trajeto,
encontramos gente de todo o mundo; da Ásia, Europa, África, America, e até de
marte.
Além da diversidade de
pessoas, encontramos diversidades de restaurantes, hotéis, lojas comerciais e
as igrejas. Fiquei impressionado foi com o trânsito. As ruas são muito, muito
estreitas e feitas de pedras. Logo me veio à mente as cenas da novela “Xica da
Silva”. A civilização espanhola havia passado por lá e deixou sua marca. As
sacadas das casas e prédios muito bem desenhadas e modelas.
Meu primeiro contato,
de fato, com a culinária peruana foi num restaurante aconchegante que nos
indicaram quando caminhávamos pelas ruas. Não recordo o nome, mas, lembro que a
comida era muito barata e deliciosa. Barbosa e eu não perdemos tempo e pedimos
a cerveja Cusqueña.
Logo após o
almoço/lanche resolvemos entrar numa casa de café. Pedimos capuccino para espantar
um pouco o frio. Cada coisa gostosa; Bolos, tortas, pães e chás. Sentimos-nos fim
de tarde da Europa! Batemos um papo e fomos em direção à praça.
COM
OS MEUS “BOTÕES”
| O a cidade lembra um "umbigo" |
Enquanto andávamos pelas
ruas estreitas, fica refletindo o porquê os índios apelidaram a cidade de “umbigo”.
Com o passar do tempo tirei duas conclusão. Talvez seja o formato geográfico da
cidade que parecia um buraco ou cova daquelas que as cozinheiras criam com
ingredientes na hora de fazer o bolo. Ou ainda, pela variedade de raças que
desfilam pela cidade.
| As ruas de Cuzco são estreitas e movimentadas |
A Praça é linda. Tem
Chafariz. Tem artistas vendendo seus quadros. Tem crianças correndo dos pombos.
Tem casal de namorados. Tem declaração de amor com direito a flores e até documentário
de rede de tevê. Enquanto registrávamos algumas cenas e tentávamos nos
acostumar com o frio, um guia turístico nos disse que do outro lado da praça é
ponto de encontro dos turistas e que lá poderíamos dançar, beber e jantar.
Não ficamos muito tempo
na praça. Resolvemos ir para o hotel descansar um pouco e nos arrumar para sair
mais tarde...
FIESTA,
FIESTA, FIESTA
Vivenciar as noites de
Cuzco era algo que mais almejava. De todos os comentários que lia na internet
sobre a cidade, se falava muito bem das festas que aconteciam especialmente para
turistas. Todo mundo sabe que sou muito festeiro e que os ritmos latinos são os
meus prediletos na hora de balançar o esqueleto.
| Na Praça das Armas ou Central de Cuzco -Peru |
Seguindo a orientação
do guia, fomos pros bares/boates que ficavam do outro lado da praça. O mais
legal é que não se paga para entrar nesses ambientes. Na entrada, você recebe
um regalo (presente) dando direito a drinques e bebidas. Pelo que entendi, os
bares ficam duelando para quem atraem mais clientes. Nós, que não somos bobos, fomos
a todos! Bebi todas as cervejas, copos de cuba livre e margaritas que havia
ganhado de cortesia.
Cada casa tinha um
ambiente especifico. Havia aquelas que tocavam Cumbia romântica, outra que só
tocava música eletrônica (nessa você encontra muito americano), também existe
aquela que tocavam rock pesado e outra bem eclética. Num determinado momento de
uma das casas adivinhe! O DJ tocou a música do cantor brasileiro Michel Teló (nossa
assim você me mata) e Ilariê da Xuxa. As pessoas pulavam, gritavam e rodavam quando tocavam esses hits. Não sabia se caia na gargalhada ou
chorava. Mas, resolvi cair na folia e dançar com o pessoal.
Incrível como os
brasileiros são bem vindos nesses ambientes. No meu caso, não era muito difícil
perceber a minha nacionalidade, já o Emerson muitos ficavam em dúvidas se era
boliviano ou até mesmo peruano. Muita gente procurava falar conosco e interagir.
Algumas pessoas levantavam o copo, outras pediam para sambar, ou queriam fazer
amizade visando a Copa do Brasil.
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| Vista do quarto do hotel para a cúpula da igreja |
Lembro que um alemão
começou a conversar comigo em português, daí não conseguia acompanhar meu
raciocínio e passou a conversar em espanhol, depois tentou em inglês, e só que
eu não entendia (sou péssimo em inglês), arriscou um francês e por fim em
libras. Começamos a rir da situação. Mas entendi o seu recado: Ele queria saber
se poderia hospeda-lo em minha casa por que em 2014 viajaria para assistir os
jogos da Copa do Mundo. Daí, até explicar pra ele onde se localizava o Acre era
mais cinco horas de “Torre de Babel”.
Fizemos muitas
amizades. Trocamos muitos contatos e principalmente experiências sobre viagens,
cotidiano e vida. Infelizmente não encontramos o nosso recém-amigo, Gregory.
Lá pelas tantas da
madrugada, Emerson e eu, resolvemos ir dormir. No portão da boate o termômetro registrava
1°C. Apesar de bêbados sentíamos muito frio, mesmo assim resolvemos ir a pé ao
hotel e curtir a madrugada tranquila da cidade de 300 mil habitantes fixos.
VIAGEM AO PERU – O ESTRANHO, O MEDO E O DESEMBARQUE EM CUZCO
Oi
pessoal!
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| Nas ruas de Cuzco o colorido chama atenção dos turistas |
Sei que estou ausente desse espaço como um filho que abandonou seu pai no asilo e nunca mais voltou para vê-lo. Quero dizer que nesses tempos a minha vida está atarefada e quando tenho tempinho pra alguma coisa prefiro o descanso; seja sozinho quando ouço minhas músicas, com os amigos numa mesa de bar ou simplesmente com os meus textos de trabalho.
Hoje bateu a saudade de
aparecer por aqui, contar um pouco sobre mim, sobre minhas viagens. Por isso
resolvi postar algumas histórias que me lembro da viagem que fiz ao Peru (2013)
nas minhas primeiras férias do Jornal O Rio Branco.
Bom, a viagem foi ótima e as
experiências que tivemos por lá foram as melhores possíveis ainda mais quando
você tem ao seu lado pessoas bacanas e um objetivo: Testemunhar o amor.
| Ônibus que fizemos o trajeto |
PARTIDA
Saímos numa quarta-feira da
Rodoviária Internacional de Rio Branco. O valor da passagem ida e volta [Trecho
Rio Branco/Porto Maldonado/Cuzco – Cuzco/ Porto Maldonado/ Rio Branco] custou R$
320 reais pela Movil Tur [Empresa peruana]. Por lá, encontramos um paulista que
estava de passagem pela capital do Acre e que pegou o mesmo ônibus que a gente.
Seu nome? Gregory Matteucci um sujeito a principio estranho mais que logo
conseguiu fazer amizade conosco.
Ás 10 horas nosso bus saiu da
rodoviária e partimos para a fronteira (Epitaciolândia/Bolívia) onde fizemos
nossa primeira parada para almoçar. Visivelmente ansioso, falei ao Barbosa
(Emerson) que não ia almoçar comida brasileira e que daria tudo para provar da
culinária dos Andes. Ele, muito fã da comida acreana não perdeu tempo e fez o
seu prato estilo pedreiro (uma moita sem fim). Após o almoço, pegamos a estrada
e com destino à Assis Brasil (última cidade brasileira na fronteira do Brasil
com Bolívia/Peru).
No trajeto, o “comissário de
terra” nos entregou um formulário para preencher que facilitaria na saída do
país e na entrada do outro. O documento (escrito em espanhol/inglês e
português) foi entregue na Aduana em Assis Brasil. Lá desembarcamos e registramos
nos documentos junto a Polícia Federal (PF) a nossa saída.
ADUANAS
BRASIL/PERU
| Aduana em Assis Brasil (AC) |
Depois de trocar o nosso
dinheiro foi à vez de passar pelo setor de imigração. Foi nessa hora que o medo
bateu e as pernas ficaram tremulas. Meu documento (RG) estava velho e a
possibilidade deles aceitarem, sem o passaporte, era muito pequena. A imigração
peruana é muito exigente quanto à entrada de estrangeiros em seu solo. Minutos
depois cheguei à sala do chefe da imigração puxei uma brincadeira e dei o documento
para carimbar (visto de turismo).
Enquanto isso ao lado dele, uns verdadeiros armários (soldados) realizava sua segurança e com a típica cara de mal. Tremi na base quando ele perguntou quanto tempo ficaria no país. Disse a ele que passaria no máximo um mês. Ele perguntou se existia a necessidade desse tempo todo e respondi que não, mais se ele desejasse poderia liberar apenas 15 dias. Ele só olhou pro meu rosto e disse: Listo! (pronto em português).
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| Wanglézio e o chefe da imigração peruana |
Enquanto isso ao lado dele, uns verdadeiros armários (soldados) realizava sua segurança e com a típica cara de mal. Tremi na base quando ele perguntou quanto tempo ficaria no país. Disse a ele que passaria no máximo um mês. Ele perguntou se existia a necessidade desse tempo todo e respondi que não, mais se ele desejasse poderia liberar apenas 15 dias. Ele só olhou pro meu rosto e disse: Listo! (pronto em português).
CONVERSA
VAI, CONVERSA VEM
Tudo pronto e mais algumas
horas desembarcaríamos na rodoviária de Porto Maldonado. Durante o trajeto,
Emerson, Gregory e Eu conversamos muito. Falamos sobre sonhos, frustrações,
objetivos, carreiras e até de comida. Um das coisas que não esqueço foi o desafio
que o Gregory lançou: “Estou sem rumo na vida. Quero cruzar os Andes a pé.
Quero descer e subir esse lugar. Talvez siga viagem até o Equador, Colômbia ou
quem sabe a Venezuela. Estou sem dinheiro e vou conseguir fazer esse percurso a
pé”, afirmou.
Emerson e eu não estávamos muito
acreditando na história, porém, pra nossa surpresa Gregory mostrou sua mochila
cheia de alimentos, objetos para acampamento e até um mapa de sua aventura.
Enquanto me concentrava na conversa dele, enxergava da janela uma triste
realidade da Amazônia Peruana: A ação do homem em busca pela riqueza.
| Moeda Oficial da República do Peru |
Devo lembrar que o trajeto
foi muito tranquilo. A carreteira (estrada) do lado peruano é linda! Sem
buracos, sem desvios, muito bem sinalizada. Não posso afirmar o mesmo sobre nossa
estrada brasileira. Parece mais um pedaço de queijo.
Logo, a noite caiu e segundo
o comissário de terra chegaríamos ás 19 horas em Porto Maldonado (capital do
Departamento de Madre de Dios). A previsão dele falhou e chegamos à cidade ás
20 horas. Desembarcamos e logo achei aquilo tudo muito estranho. A começar pelo
clima (17°C) e um vento supergelado. Nossa preocupação foi encontrar o guichê da
empresa para fazer a conexão com o outro ônibus que nos levaria à Cuzco.
Minutos depois, ficamos sabendo que o bus sairia ás 22 horas.
| No desembarque em Porto Maldonado |
| Rodoviária de Porto Maldonado |
Avistamos pequenas barracas que vendiam jantas (cena) e produtos comuns em mercados. De cara, avistei um homem tomando um caldo servido num prato de alumínio com pedaços de frango (Pollo) com batatas e macaxeira (mandioca).
A cena não era das melhores,
tendo em vista que ao passo que olhava pra ele logo acima de sua cabeça, no
telhado, passou um rato gigantesco (No Brasil seria classificado como uma cutia).
Aí a vontade de comer ficou por lá. Emerson se encantou com um prato de Pollo
frito com batatas e salada com abacate. Até que curti a ideia, daí fui na opção
dele e resolvemos arriscar. Pedi uma coca cola e não tinha. Pedi uma Fanta Laranja,
também não tinha. A única coisa que existia ali era água mineral e Inca Kola
(tem coloração amarelo-ouro).
| Garrafa de Inca Kola |
Depois da gororoba segui as
dicas da minha colega, Mircléia Magalhães, de comprar uma pílula para náuseas,
enjoos e problemas de pressão por causa da altitude. Procuramos a bendita pílula,
mais não havia disponível nas barracas. Até que por indicação de um senhor,
encontramos e tratamos logo de tomar para fazer efeito na viagem, afinal, iríamos
subir as cordilheiras na madrugada.
CONEXÃO
EM PORTO MALDONADO
O tempo passou e o horário
do embarque chegou. Fomos os últimos a entrar no ônibus. O Gregory também pegou
o mesmo ônibus de conexão que a gente. Ele estava nos procurando desesperadamente
pela rodoviária porque ouviu alguém dizer que sairia em poucos minutos.
Corremos até o guichê da administração da rodoviária para efetuar o pagamento
do imposto de embarque (Aproximadamente 2 Sol Novo). Passagens carimbadas e o
embarque feito às pressas.
Chegando ao terminal, pegamos
nosso ônibus de três andares, equipado com televisão, poltronas mega reclináveis,
banheiro gigantesco e um som ambiente regado ao estilo Cumbia Romântica.
Ficamos no primeiro andar lá de cima. Visão privilegiada! Pena que de noite não
enxergamos muita coisa, mas o amanhecer foi espetacular. Lembro que na poltrona
da frente havia uma família (pai, mãe, um bebê de colo e um menino mais
crescido), ao lado três americanas e uma francesa.
| Ela recebeu o apelido de "Bonita" por seu charme e carisma |
| Lanche servido no ônibus |
Não demorou muito para eu
sentir um friozinho a mais, afinal, escolhi o lado da janela, e perceber que os
vidros estavam embaçados. Dentro do ônibus pouco se ouvia barulho, só da Cumbia
que tocava na rádio interna. Minutos depois a sinfonia de roncos e tosse
indicava que as pessoas estavam cansadas, ou dormindo e dando os primeiros
sinais da altitude.
Uma horinha depois começamos
a subir as cordilheiras. Subíamos em forma de circulo. Subíamos, subíamos , subíamos
e foi assim o restante da viagem. Parecia que nunca mais andaríamos em linha
reta como na estrada. Lá pelas tantas da madrugada, sem pregar um olho, as
meninas do lado começaram a passar mal. Uma delas encheu o saquinho para
vomito, outra reclamava de dor de cabeça. Emerson não aguentou e dormiu. Talvez
para não testemunhar a cena ou ainda seria a melhor forma de passar aquela experiência
horripilante de subir as cordilheiras e não sentir “coisas”.
| Descendo, descendo, descendo (...) |
Tempos depois acordei e
nosso ônibus continuava a subir as estradas das Cordilheiras. Olho para o lado
e vejo a maioria das pessoas dormindo. Olho pro outro lado e testifico os
primeiros raios do sol. Vejo também lá em baixo pequenas luzes acessas (infindáveis
pontinhos de luzes) e pensava que estaríamos chegando ao destino: Cuzco.
A viagem prossegue e volto a
dormir. De repente, o ônibus começa a descer, descer e descer. Era algo muito
rápido como se não estivesse com freios. O meu coração acelerou, comecei a suar
e ficar preocupado com a velocidade do ônibus que ameaçava bater nos paredões
de pedras ou quem sabe nas carretas que por lá trafegam. Resolvi acordar o
Barbosa. O cara também ficou aflito! Não sabíamos se nos despedíamos ou deixávamos
recado para nossas mães se alguém sobrevivesse.
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| Montanhas de gelo nas Cordilheiras dos Andes |
O dia clareou e sou acordado
pelo barulho de um senhor que seria o primeiro a descer no trajeto. Lá em baixo
ele pegava seus pertences e abraçava sua família. Deu um beijo numa senhora,
tal sua esposa, que vestia uma roupa de lã colorida e um chapéu esquisito.
Barbosa e Eu, nesse momento, passávamos a lembrar das cenas de terror que
vivemos na madrugada. Logo em seguida os outros passageiros também comentavam
sobre a viagem.
Nessa altura da viagem as
primeiras características de Cuzco se revelavam. Casas bem pobres construídas nas
pedras. Na beira da estrada era possível testemunhar a vida no campo rural; animais
soltos na estrada, carroças carregadas com alimentos e a famosa folha de coca
amontoadas em sacos de fibra.
Nosso café da manhã (Desayuno)
foi servido dentro do ônibus. Sucos, bolachas, Inca Kola e Chá foram servidos
pela Comissária Bonita. Optei pelos biscoitos que havia comprado no Brasil e
tomei suco e Inca Kola. Já o Barbosa foi com o Desayuno da casa.
Tantas horas de viagem e
algumas coisas começaram a me aborrecer. O Choro inconstante do bebê da frente,
o mau-cheiro insuportável do banheiro e a aflição de sair daquela estrada.
Demorou só mais um pouco e depois de 22 horas (de Rio Branco a Cuzco) chegamos à
cidade dos Incas.
O
DESEMBARQUE EM CUZCO
Na rodoviária a grata
surpresa: Não sabia se estava na torre de babel ou encontro internacional de
vários países. Pense num lugar cheio de gente de várias partes do planeta!
Agora imagine todo mundo gritando e falando alto como se não houvesse o amanhã!
Pensou? Pois bem, assim era o ambiente da estranha Rodoviária de Cuzco.
| Rodoviária Internacional de Cuzco - Peru |
Pegamos nossas coisas e
fomos procurar hotel. Ainda na Rodoviária, no portal de saída, encontramos uma
senhora de estatura baixa que vendia estadias. Sua cara não era das
melhores. Sei que não podemos e que é deselegante julgar as pessoas por sua
aparência, mas seguindo as orientações de quem já visitou o Peru – “Tome
cuidado na rodoviária! Cuidado com o golpe! Muitos peruanos gostam de dar golpe
nos brasileiros”! – resolvi informar ao Barbosa que negociaríamos com outra
pessoal o hotel pois ela não passou confiança.
Barbosa concordou e
resolvemos procurar outros agentes de turismo. Demos uma volta na rodoviária e
ele encasquetou com essa mulher e resolveu ouvir a proposta. Resultado: depois
de muito convencimento ficamos no hotel dela (Tupana Wasi). Pegamos um táxi e
ela nos levou para conhecer as instalações.
| Rua do hotel Tuapana Wasi |
Quando chegamos, paramos o
carro no meio da rua e os motoristas começaram a buzinar. Era algo estranho e
muito estreito. Daí, começamos a nos familiarizar com ela e o ambiente e
aceitamos ficar. A senhora, de imediato, nos ofereceu chá da folha de coca e
perguntou se queríamos fazer o Desayuno. Barbosa aceitou, porém, eu só queria
dormir e passar aquela coisa ruim. (Continua...)
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domingo, 24 de novembro de 2013
Tô chegando, quero voltar, preciso voltar.
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